Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/07/2019

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” A frase de Paulo Freire relaciona-se bem com a situação vivida nas escolas brasileiras. Sabe-se que a educação é um dos principais âmbitos que fomentam o desenvolvimento social. Em virtude disso, o abandono escolar configura-se como um dilema que afeta especialmente as classes desfavorecidas. Logo, é necessário refletir sobre as principais causas e as soluções cabíveis.

Isso posto, é importante destacar que as crianças e os adolescentes que se limitam a concluir o ensino são, em sua maioria, de baixa renda ou de zonas rurais. Segundo pesquisas realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), grande parte dos jovens que abandonam a escola são oriundos de famílias com renda per capita inferior a 1 salário mínimo, o que explica o fato de uma das causas da evasão escolar - a partir do 6º ano - ser para se inserirem no mercado de trabalho e auxiliar na renda doméstica. Acrescentando-se ainda, a causa de muitas crianças da zona rural evadirem da escola se deve ao fato destas serem muito distantes de suas casas e não haver ônibus escolar suficiente. Dessa forma, a falta de ensino básico e médio afetará a vida profissional desses futuros adultos, visto que a entrada no mercado de trabalho exige, no mínimo, ensino médio completo, por conseguinte esses adultos tornar-se-ão parte da mão de obra pouco valorizada e sucateada do nosso país, mantendo a estrutura social vigente da atualidade.

Outrossim, a carência de modernização do ambiente escolar detém um vultuoso potencial de afastar os estudantes. Ao passo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as escolas brasileiras contam em média com um computador para cada 34 alunos. Assim, a escassa conversação da escola com a tecnologia e, consequentemente, com o dialeto do jovem, torna esse meio acadêmico cada dia mais desinteressante, uma vez que os meios de comunicação oferecem um conhecimento instantâneo e mais dinâmico aos alunos.

Portanto, é necessário que esse quadro mude, para isso é preciso uma ação conjunta entre escola, pais e governo: a escola e os pais devem estimular o estudo através de meios mais didáticos para que haja a aproximação do aluno ao meio escolar, utilizando, por exemplo, da intertextualidade entre filmes e músicas, a fim de que a transmissão do conhecimento torne-se mais dinâmico, palpável e intrigante aos estudantes. Concomitante, o governo deve investir na fabricação de ônibus escolares e os direcionar para locais mais necessitados. Por fim, o Ministério do Trabalho deve ampliar os programas como Jovem Aprendiz para que os jovens que precisam trabalhar não saiam da escola.