Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/07/2019

João Pedro, 12 anos, deixou de ir a escola para ajudar sua mãe financeiramente. Entretanto, não conseguiu trabalho e logo engajou no “mundo da criminalidade”. Esse é só um exemplo fictício dentre os 2,5 milhões de crianças que abandonaram a escola no Brasil. Nesse sentido, é indubitável a ineficiência e, por vezes, inexistência de políticas públicas em áreas de baixa condição socioeconômica, onde a evasão é ainda maior, segundo a ONG Todos pela Educação. Além disso, a ausência da participação familiar na educação formal das crianças é um fato que contribui para a evasão escolar.

Em primeiro plano, consoante o iluminista Voltaire, “Educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas à sociedade”. Nessa perspectiva, o Estado brasileiro está dissipando capitais quando não oferece políticas públicas eficientes no combate a violência, por exemplo, ou até mesmo no que tange à mobilidade dos alunos até a escola. Esse fato contribui veemente para os índices de evasão escolar, visto que o adolescente perde o interesse pela escola e deixa de olha-la como meio de transformação social. Desse modo, é imprescindível a atuação do Estado nesse ambiente, uma vez que é de importância incontestável garantir a democratização da educação, bem como prevenir os danos mencionados por Voltaire.

Outrossim, a participação familiar no que tange ao desenvolvimento escolar de crianças e adolescentes é imprescindível, uma vez que a família papel de acompanhar o processo de aprendizagem, bem como estabelecer os primeiros deveres da criança como, por exemplo, fazer as atividades escolares diárias. À luz da teoria “Funcionalismo” de Émile Durkeim, as instituições sociais possuem uma função. Entretanto, se não executarem de forma plena, acarreta em danos à sociedade. Nesse ínterim, é indubitável que a negligência familiar no processo de educação formal dos jovens é causa direta do aumento dos índices de evasão escolar. Esse dado é preocupante, uma vez que sem educação e, portanto, sem qualificação profissional, alguns desses jovens procuram na criminalidade, por exemplo, um meio de transformação social e, assim, concretizando os danos previstos por Durkeim.

Diante do exposto, fica evidente que a evasão escolar é um problema que assola a realidade brasileira e dentre suas causas estão, principalmente, a inexistência de políticas públicas e a ausência da família no processo de educação formal dos jovens. Por conseguinte, o Poder Público deve oferecer condições necessárias para educação, por meio da intensificação do policiamento nas redondezas das escolas, bem como a urbanização das áreas de acesso, para que haja maior segurança nas escolas e acessibilidade. Ademais, a escola deve esclarecer a importância da família no processo de educação,  por meio de palestras e reuniões com os familiares, com intuito de firmar a relação família-escola.