Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/07/2019
A obra, “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, ilustra o processo de desencantamento do Brasil pelo personagem principal, ao se deparar com os problemas enfrentados rotineiramente pelos cidadãos, oriundos da ausência estatal. Nesse contexto, o cenário atual brasileiro poderia ser mais um capítulo dessa obra, visto que a educação, não é uma prioridade do Poder Público, resultando na ausência desse direito. Desse modo, a evasão escolar se tornou uma significante problemática, proveniente do modelo retrogrado de ensino e pelo de ingresso de estudantes no mercado de trabalho. Em primeiro plano, é inegável que o modelo de educação do Brasil permanece o mesmo desde o Brasil Império, quando a primeira escola,” Dom Pedro II”, foi fundada. Dessa maneira, apesar dos avanços e feitos pela pedagogia no processo de aprendizagem, o método tradicional de educação persiste no país não potencializando as capacidades e habilidades individuas, e as diferentes formas de assimilar um conteúdo, de modo que a escola não promova uma formação acadêmica e cidadã plena. Assim, nota-se que tais alunos, aliado a falta de infraestrutura nas escolas, material inadequado e profissionais sem capacitação eficiente, corroboram para que os alunos fiquem desanimados e deixem a escola, já que sua inteligência e sua singularidade não são valorizadas.
Em segundo plano, é notório que é o ingresso precoce dos alunos no mercado de trabalho favorece a evasão escolar. Para o deputado estadual de São Paulo, Dani José, ativista pela educação,trabalhar e estudar não é um problema, desde que o emprego não prejudique o tempo de estudo. Entretanto, na contemporaneidade-conforme a pesquisa feita pelo IBOPE- a realidade é outra, visto que muitos jovens trabalham por necessidade de complementar a renda familiar, tornando o emprego prioridade. Com efeito, ao passar dos meses, tais alunos saem do colégio, pois não conseguem prestar a devida atenção na aula, bem como estudar e fazer as lições de casa, em virtude do cansaço do trabalho.
Portanto, diante do argumentos supracitados, faz-se necessário a atuação do Estado a fim de amenizar a problemática. Por isso, é impreterível que o Ministério da Educação, por meio do poder municipal, promova a reformulação das grades curriculares do ensino médio e fundamental, junto ao grupo de professores e pedagogos, visando uma melhoria no ensino, aplicando novas técnicas de aprendizagem, para que seja viável a contemplação características de aprendizagem de cada aluno, tornando, logo, o ensino atrativo. Ademais, é preciso que a os mesmos Órgãos competentes, criem um programa que ofereça auxílio financeira e humano, com a colaboração de assistentes sociais, para alunos de escolas públicas e estaduais, que possuem dificuldade financeira, para que o estudo seja sempre a prioridade de tais indivíduos.