Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/07/2019
O acesso à educação é uma das ferramentas que possibilitam a construção de uma nação desenvolvida e sem desigualdades socioeconômicas. No entanto, no que diz respeito ao contexto brasileiro, essa realidade está longe de ser alcançada devido a persistência dos altos índices de evasão escolar. Assim, é necessário traçar medidas para amenizar esse problema que tem como principais causadores a inobservância familiar e estatal.
Convém ressaltar, a princípio, a influência que o contexto familiar e socioeconômico exerce sobre o aluno e sua relação com a escola. Dessa maneira, muitas vezes, o jovem tem que abandonar os estudos para conseguir contribuir financeiramente com as despesas domésticas e, atrelado a isso, passa a não enxergar a importância e a utilidade dos conhecimentos adquiridos em sala de aula para sua vida. Assim, a falta de apoio emocional e econômico para prosseguir a vida acadêmica e a desmotivação vivenciada por não se identificar com o que é ensinado e com o método aplicado nas instituições de educação resultam em uma realidade de perpetuação da marginalização e estagnação da mobilidade social. Essa conjuntura pode ser observada nos dados divulgados em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontam maiores chances de empregabilidade e salários maiores para quem completou o ensino médio e ingressou no ensino superior.
Além disso, a evasão escolar reflete no descumprimento do Estado com sua própria carta magna, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente é claro ao dizer que todo jovem deve estar matriculado e frequentando a escola. Desse modo, a persistência do abandono e baixa frequência as aulas traz à tona um governo que não se preocupa em frear essa problemática, seja no investimento na formação de profissionais mais preparados para trabalhar com a população mais tangível a desistência ou na formulação de uma matriz curricular que atenda as demandas e perspectivas de vida desses alunos. Assim, o papel estatal de tornar o ambiente escolar mais acolhedor e mais empático com a situação de cada estudante é de extrema importância para reverter a realidade de quase 3 milhões de crianças fora da escola, segundo dados da organização não governamental Todos Pela Educação.
Portanto, medidas devem ser tomadas para amenizar essa triste situação da educação brasileira. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação investir em profissionais das áreas de assistência social e psicologia para atuarem nas escolas, no intuito de fornecer ajuda sociopsicológica aos alunos em contexto de vulnerabilidade de evasão. Ademais, é de extrema importância que as instituições de ensino procurem tornar o ensino mais atrativo e dinâmico, por meio do uso de novas fontes de estímulos, como os adventos tecnológicos, de modo a engajar mais a participação do estudante.