Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/07/2019
“ No meio do caminho tinha uma pedra”. O poema de Carlos Drummond de Andrade parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, ao posicionar a obra na problemática da evasão escolar, esse fato pode muito bem ser interpretado como algo que impede a evolução nacional. Dessarte, implica aludir a vulnerabilidade social e a negligência estatal como fatores que contribuem para que essa mazela social persista na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, é importante destacar que esse embate social não teve início hodiernamente, é notório que o abandono escolar está enraizado em um contexto socioeconômico de instabilidade, pois muitos jovens se afastam do ambiente escolar para trabalhar e poder contribuir com a renda da familiar. De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), grupos de maior risco de largar escola, são os jovens de baixa renda, ou seja, quanto menor o rendimento per capita, maior será sua evasão. Deve-se pontuar, ainda, a ausência de uma base educacional da família, como ponto relevante dessas incidências. Como afirmava o Educador Paulo Freire, só por meio da educação pode haver mudança. Assim sendo, o baixo nível de instrução no ambiente familiar assim como o precário poder aquisitivo impulsionam para a continuidade da problemática.
Outro ponto relevante nessa questão, é a ineficácia do governo em cumprir sua função. Nesse sentido, o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, direciona para a instituição governamental a obrigação de garantir a todos, igualmente, o direito a educação pública. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na evasão a escola por crianças e adolescentes que encontram dificuldades ao acesso as instituições por falta de transporte escolar, principalmente, os que vivem em áreas rurais. Além da falta de investimentos em atividades extracurriculares nas unidade escolares, fato que as tornam menos atrativa a esse público.
Em suma, os impasses supracitados urgem ser elucidados. Portanto, é necessário que o Governo Federal invista em infraestrutura, disponibilizando transporte escolar adequado e promova projetos recreativos extracurriculares, como esportes, música, teatro e dança, por meio do direcionamento de verbas públicas, para que esses jovens enxerguem na escola atrativos que incentivem sua permanência. Outrossim, ao Ministério da Educação em parceria com a escola, trabalhe a interação da escola com a comunidade, por intermédio de atividades e palestras de incentivo a educação, além do acompanhamento psicopedagogo aos jovens vulneráveis, criando bolsa permanência que seria uma ajuda de custo para mantê-lo na escola. Dessa maneira, “retirando as pedras do caminho”, concomitantemente, essa problemática será mitigada.