Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 21/07/2019
De acordo com Aristóteles,em seu livro Ética a Nicômaco, para se ter uma vida próspera e virtuosa,deve-se possuir como finalidade(telos) a felicidade(eudaimonia).Contudo,hodiernamente no Brasil,nota-se que o seguimento preciso de tal assertiva está debilitado,visto o grande número de jovens que não vão de encontro à felicidade a partir da evasão escolar,a qual é impulsionada pela desigualdade social e a omissão do Estado.
É relevante abordar,a princípio, que o contraste intrínseco ao corpo social brasileiro corrobora o impasse.Uma vez que, segundo o sociólogo Émile Durkheim,indivíduos postos em “fatos sociais” tendem a sofrer e/ou absorver involuntariamente suas características de forma coercitiva e generalizada.Sob essa ótica,percebe-se que,muitos púberes estão inseridos no fato social da desigualdade,o qual os impõe em muitos casos o exercício do trabalho, do casamento e da gravidez precoces como meios exclusivos de ascensão social e econômica para suas famílias,contrariando a lógica aristotélica e,consequentemente,aumentando os níveis da evasão escolar na pátria.
Outrossim,a negligência do Estado é um dos principais fatores para a perpetuação da problemática.Isso porque,apesar do Artigo 6º da Constituição Federal assegurar os direitos à educação e dignidade aos cidadãos,tal deliberação não acontece de maneira efetiva;haja vista que, dados do IBGE informam que mais de 1 milhão de jovens entre 15 e 17 anos não concluíram os estudos,mostrando,desse modo, a carência de investimentos como uma melhoria na distribuição de instituições de ensino,contratação de docentes e incentivos educacionais,os quais podem mitigar tal quadro.Dessa forma,com a inércia governamental,dificulta-se a garantia legal de um direito inerente ao humano.
Portanto,de acordo com os fatos supracitados,faz-se mister a atuação do Estado e da Escola no combate do empecilho.Com isso, o Governo Federal,junto aos Ministérios Público e da Educação, deve a partir de regulamentos e envio de verbas, priorizar investimentos no ambiente escolas,como a reforma e construção em regiões subalternas e contratação de profissionais e materiais qualificados, com o fito de mitigar a evasão.Além disso, compete à Escola, em parceira com as Secretarias Municipais de Educação,implantar projetos de incentivo à permanência, como bolsas de estudos,pesquisas e atividades extracurriculares remuneradas,as quais norteiam uma melhor inserção no colégio e adelgaçam a necessidade do trabalho resultante da desigualdade.Por fim, tem-se um país no qual a ética eudaimónica de Aristóteles será seguida nos educandários.