Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/07/2019
No filme “Escritores da liberdade”, a personagem principal, Erin, é uma educadora com visão humanitária, que busca reverter a realidade de violência e evasão escolar nas periferias. Diante da inabilidade de ajudar financeiramente, a professora cria uma metodologia pedagógica capaz de afastar dezenas de jovens pobres da esfera do crime através da educação. Apesar de ser uma ficção, o longa aborda uma realidade extremamente presente no Brasil contemporâneo: a evasão escolar que leva milhares de jovens às margens sociais e a omissão do poder público quanto ao caso. Em vista disso, é fundamental uma análise do atual contexto sociopolítico para reverter essa mazela social.
Primordialmente, cabe lembrar que o atual ambiente acadêmico Brasileiro é elitista e excludente, embora seja de conhecimento geral que essa realidade não é uma invenção do século XXI. Com a vinda da corte portuguesa ao país, no ano de 1808, incontestavelmente houve a maximização da esfera pedagógica no Brasil, todavia, ela estava restrita aos membros da elite econômica. Dessa forma, torna-se simples entender o motivo pelo qual os maiores índices de evasão escolar da nação estão ligados aos jovens de classe baixa: a necessidade de ajudar nas despesas domésticas, tendo como única alternativa, deixar os estudos em segundo plano. Segundo pesquisas realizadas pelo Ministério da Educação em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 1,3 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos deixam o colégio antes de concluí-lo (sendo estes, majoritariamente, jovens de baixa renda e normalmente negros).
Tem-se conhecimento que a constituição cidadã de 1988 garante acesso à educação pública, gratuita e de qualidade. Em contraste, o governo age com imensurável descaso ao não proporcionar políticas públicas efetivas que mantenham os jovens periféricos dentro da esfera acadêmica. Segundo o educador Paulo Freire, “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo”, sob esse viés, pode-se afirmar que a única maneira de reverter a elitização da educação brasileira, é a oferta de educação pública e de qualidade, com o fito de manter os jovens pobres nas escolas, oferecendo-lhes a oportunidade de inserção na esfera econômica de forma digna.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. É imprescindível que o Ministério da Educação, com apoio do Governo Federal, crie um projeto que tenha como principal objetivo, manter os jovens periféricos dentro das escolas. O projeto deve contar com um auxílio financeiro de, no mínimo, R$500,00, destinados às famílias de baixa renda. Em troca, todos os menores de 18 anos da família precisam ter uma frequência escolar acima de 80%. É necessário também que o mesmo ofereça acompanhamento psicológico nas escolas, com fito acolher e demonstrar empatia pelos estudantes.