Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/07/2019

Sob a égide da Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948, todos os cidadãos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Hodiernamente,entretanto, o ineficiente combate à evasão escolar no Brasil demonstra a inaplicabilidade desse preceito internacional, haja vista que contribui para a subtração de uma garantia fundamental: o acesso à educação. Nesse contexto, evidenciam-se aspectos socioeconômicos e a deficiência do modelo educacional como fatores agravantes dessa problemática. Diante disso, refletir acerca dessa realidade e buscar caminhos para superá-la é o que se espera de uma sociedade, em tese, democrática.

A princípio,  a vulnerabilidade social representa uma das motivadoras da elevação das altas taxas de abandono escolar. Isso porque, a necessidade de trabalhar para complementar a renda da família ou a gravidez precoce são fatores que dificultam a continuidade nos estudos, o que torna-se mais alarmante entre a camada menos abastada da população. Prova disso, são os dados da Organização Não-Governamental(ONG) Todos pela Educação que apontam a dificuldade de conciliar estudo e trabalho ou a exigência de cuidar dos filhos como causas da evasão por parte das crianças e adolescentes, reforçando a imprescindibilidade de políticas públicas para superar essa grave ameça ao direito dessa público à educação.

De outra parte, a obsolescência dos métodos de aprendizagem também corrobora a permanência da multiplicação dos assentos vazios ao longo do ano, haja vista que alimenta o desinteresse dos alunos. A esse respeito, o filósofo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, critica a “educação bancária”, responsável por fazer do educando um mero acumulador de conteúdos, e propõe uma “educação libertadora”, que preza por despertar a curiosidade e o senso crítico do discente. Todavia, os centros de ensino atuais -frequentemente arraigados a um modelo tecnicista- insistem em projetos pedagógicos anacrônicos que não conseguem despertar o interesse dos estudantes, de modo a facilitar o aumento da evasão escolar. Logo, é fundamental rever as estratégias de aprendizagem.

Urge, portanto, a importância de superar os entraves que impedem o enfrentamento da desistência escolar. A fim de que o direito à educação seja, de fato, salvaguardado a todo cidadão, cabe ao Poder Executivo, sob a voz das prefeituras, realizar políticas de prevenção ao abandono dos estudos, em parceria do Conselho Tutelar, por meio da visitação periódicas às famílias para ratificar o dever de manter as crianças e adolescentes nas escolas, com a prestação de todo o auxílio necessário. Em adição, o Ministério da Educação deve revisar os currículos escolares, a partir de alteração dos Parâmetros Nacionais Curriculares, que visem torná-los mais atrativos.