Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 23/07/2019
TEMA: EVASÃO ESCOLAR E A REALIDADE BRASILEIRA.
Em sua obra “vidas secas”, Graciliano Ramos narra a miséria de uma família de retirantes que se desloca em busca de sobrevivência. De maneira análoga, os altos índices de vulnerabilidade social existentes no Brasil evidenciam que essa realidade está diretamente relacionada ao contexto educacional, particularmente, no que diz respeito à evasão escolar. Diante disso, é imperante analisar como a histórica desigualdade da sociedade brasileira contribui para a perpetuação desse quadro, bem como suas sequelas para os grupos em questão.
Convém ressaltar, a princípio, que a necessidade de muitos jovens de ingressar no mercado de trabalho - por falta de condições financeiras familiares - e a falta de interesse são os principais fatores que levam ao abandono escolar. De acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, a educação tem a função de moldar o ser humano e ser a principal ferramenta propulsora do progresso e da melhoria das oportunidades e condições de vida. No entanto, a precária escolaridade atual e a baixa qualificação profissional, auxiliam para o enfraquecimento da educação de qualidade, logo, o desinteresse por parte dos alunos, no ambiente escolar.
Outrossim, cabe salientar que a desigualdade socioeconômica brasileira se caracteriza como uma ofensa aos direitos humanos, afetando diretamente a falta de simpatia pelo ambiente escolar, juntamente com a escassez de ferramentas inclusivas nas escolas que cativem a atenção do estudante. Nesse contexto, a ausência de interesse pela escola pode ser ocasionada principalmente pela proposta pedagógica da escola, em geral, é uma postura que não coloca o aluno como prioridade. Com efeito, o “contrato social” defendido pelo iluminista John Locke é violado, uma vez que o Estado não cumpre sua função enquanto responsável pela concretização das garantias constitucionais, fatores esses são determinantes para que a evasão escolar se perpetue.
Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tal, urge que a escola, na qualidade de instituição formadora de valores, elabore um projeto de incentivo ao estudo, apresentando uma diversidade de métodos educacionais para sala de aula, não só nas avaliações, mas também no ensinamento da matéria, com intuito de atrair a atenção do discente. Ademais, cabe ao Estado, enquanto entidade soberana, dar assistência à essas escolas defasadas, com investimentos em tecnologia e qualidade do ensino propondo novas práticas pedagógicas que apoiam o processo de ensino-aprendizagem. Adotadas essas ações, será possível amenizar a situação de evasão escolar hodierna.