Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 22/07/2019
Sob a perspectiva de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, crianças e adolescentes compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao processo de formação educacional, visto que as taxas de evasão escolar revelam a série de desafios que o país enfrenta para atender essa realidade. Nesse contexto, rever a situação a qual as vítimas estão submetidas é fundamental para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.
Primeiramente, o Estado não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona aos estudantes acesso à educação com a qualidade devida. Dessa maneira, a forma superficial e mecânica com a qual o sistema educacional lida com os alunos viabiliza seu desinteresse pelo estudo, afastando-o do ambiente escolar, seja por necessidade de trabalhar, seja uma gravidez precoce, seja o envolvimento no crime. Essa lamentável condição de despreparo da rede de ensino no que tange à constância do discente na escola, causa entraves na formação desses indivíduos e, por conseguinte, sua inserção no mercado de trabalho.
Além disso, outra dificuldade encontrada por esses jovens para alcançar a formação educativa dá-se pela falta de apoio enfrentada por muitos no âmbito familiar, causada pela ignorância quanto às leis protetoras dos direitos da criança e do adolescente, que gera uma letargia social nesse aspecto. Esse desconhecimento produz na sociedade concepções errôneas a respeito da função da educação na vida de um ser humano. Com isso, as famílias - acomodadas pela pouca instrução - alimentam a falsa ideia que o jovem perderá tempo estudando ao invés de ter um retorno mais rápido ao trabalhar o quanto antes, o que o afasta da escolaridade e neutraliza a relevância que possui.
É evidente, portanto, que ainda há obstáculos na solidificação de medidas a fim de diminuir essa inercial problemática. Diante dessa realidade, é preciso que o Ministério da Educação invista em uma estrutura especializada no acompanhamento desse público, por meio da capacitação de professores e instrutores a uma dinâmica escolar humanizada e interessante para o estudante, a fim de que ele se mantenha interessado e aplicado ao seu desenvolvimento escolar e posteriormente acadêmico, bem como um acompanhamento individual para os que se encontram com algum problema ou dificuldade. Ademais, é importante que a esfera familiar exija do poder público a concretude dos princípios constitucionais de educação a esse grupo, além de cumprir seu papel de incentivo ao estudo como forma de melhorar a qualificação e a busca por emprego e assim, ter uma melhor renda e qualidade de vida. Certamente, diante desse esforço conjunto,não haverá barreiras capazes de minimizar o impasse.