Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/07/2019

Emergia no Século XVIII um grupo de pensadores revolucionários que passariam a representar a libertação do homem diante da ignorância, os Iluministas, em cujos ideais estava a máxima de que apenas a educação transformaria a realidade. Hoje, no entanto, tais preceitos parecem não mais estar no cerne da vontade humana, dado o abandono de crianças e adolescentes das escolas brasileiras, seja pelas precárias condições de ensino ou pelo contexto socioeconômico no qual estão inseridos.

Inicialmente, percebe-se que o ambiente escolar tem figurado como agente repulsivo para os estudantes. Falta de professores, salas em péssimos estados de conservação, ínfimo contato escola-família e metodologias ineficientes são apenas alguns dos muitos problemas vividos em  instituições de ensino públicas do país, fruto do insuficiente investimento nesse setor que deveria ser tratado como básico. Em contraste com o que defende o psicanalista e pedagogo Rubem Alves, na tese da Escola Asa, provedora do acesso aos meios para desenvolver as potencialidades dos alunos, prevalece a negligência a essa essencial parcela social e a consequente perda de oportunidades de melhorias nacionais a longo prazo.

Além disso, a difícil situação socioeconômica pela qual grande parte da população passa ajuda a entender o desafio de se permanecer na escola. Como o córtex pré-frontal do ser humano, responsável pela tomada de decisões, cessa seu amadurecimento apenas por volta de 25 anos de idade, é possível inferir que os jovens, sob um cenário permeado pela violência, ausência estatal e sem uma base familiar sólida, ficam susceptíveis a sérias problemáticas como crimes, prostituição, gravidez indesejada e trabalho infantil, fatores que retiram milhões de estudantes da sala de aula,

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de lutar contra a evasão escolar e seus efeitos sociais e econômicos no Brasil. Para que haja maior incentivo de retorno e permanência dos menores no meio educacional, o Ministério da Educação deve repassar mais verbas, fiscalizando seu uso, para as Prefeituras Municipais, as quais investirão na reestruturação do sistema de ensino, por meio do pagamento adequado de professores qualificados que criarão relações aluno-família-escola compartilhando seus respectivos interesses e dificuldades, em encontros mensais. Dessa forma, as funestas realidades intra e extraescolares serão minimizadas e os ideais iluministas se materializarão na sociedade brasileira.