Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/07/2019

No século XVIII, o pensador iluminista Kant, defendia a saída do homem de sua menoridade, utilizando seu próprio entendimento por meio da razão. No entanto, o conceito kantiano é um ideal utópico para a realidade da sociedade brasileira, uma vez que a evasão escolar faz-se presente na contemporaneidade. Nesse contexto, convêm analisar a influência do Poder Público e da sociedade civil na mitigação dos fatores que favorecem a evasão escolar no Brasil.

A princípio, a omissão do Estado na melhoria da educação inviabiliza a permanência escolar. A esse respeito, o contratualista Jhon Locke, estabelece que o homem cede parte de seus direitos ao Estado em troca da garantia de seus direitos naturais. Porém, esse “Contrato Social” é violado, haja vista a falta de iniciativa das autoridades no investimento em estrutura e transporte para estudantes que vivem em zonas rurais, além da ineficiente gestão de recursos para manutenção de escolas em regiões carentes, provando, assim, o dado do IBGE de que há 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que não completaram os estudos. Logo, a inobservância da arena pública frente á mitigação da evasão escolar, invalida, sobremaneira, o Estado Democrático de Direito.

De outro ponto, a frágil relação entre família e escola é fator estimulante da problemática. Nesse sentido, o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, disserta que a educação muda as pessoas e as pessoas transformam o mundo. Nesse viés, a rara integração da família e os profissionais da educação, inviabilizam a resolução de conflitos sociais e econômicos, em muitos lares brasileiros, afetando diretamente a assiduidade e o empenho de muitos jovens na escola, expandindo brechas para a exploração infantil e a inserção na criminalidade. Assim, a indiferença do corpo social no estimulo a permanência na escola gera consequências sociais, inviabilizando a transformação citada por Paulo Freire.

É evidente, portanto, que há entraves para a resolução efetiva da evasão escolar no Brasil. Dessa maneira, é necessária a ação conjunta de governos municipais e do Ministério da Educação na identificação de regiões carentes e investir em meios de transportes condizentes com a necessidade da região, além de promover a manutenção de prédios em regiões economicamente desvalorizadas, oferecendo ações regionais e sanando um problema nacional. Ademais, o Ministério da Educação deve tornar obrigatória campanhas nas instituições públicas de ensino, que visem a participação da família na vida educacional dos jovens, contribuindo com o incentivo para permanência escolar. Procedendo-se, assim, a sociedade capaz de experimentar da maioridade racional proposta por Immanuel Kant.

ssa