Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
A evasão escolar pode ser conceituada como o ato de abdicar o ensino em razão de algum motivo. Sob esse viés, nos últimos anos, essa problemática tornou-se bastante perceptível no cenário brasileiro, resultando, dessa forma, na incidência de sérios impactos sociais. Nessa perspectiva, no Brasil, essa conjuntura relaciona-se não só a diversos fatores de causalidade, sobretudo referentes ao sistema educacional, mas também a vários malefícios para a nação.
A partir de 1808, o Brasil iniciou um processo de mudanças em sua estrutura social, o qual agregou o ensino do país. Assim, a vinda da Coroa portuguesa fomentou o desenvolvimento da educação nacional, por meio da construção de universidades, bibliotecas, entre outros. Nesse contexto, esperava-se, a partir daquele momento, uma contínua modernização do ensino brasileiro e a formação de uma sociedade cada vez mais engajada com a aprendizagem. Todavia, as últimas décadas têm demonstrado, de forma corriqueira, um contingente de jovens abdicando os estudos, no qual o sistema educacional corresponde a um dos motivos para essa conjuntura. Desse modo, o sistema de ensino brasileiro ainda insiste em promover uma educação unilateral, cujo o aluno é passivo no processo de aprendizagem. Além disso, a adoção de práticas que privilegiam o produto da aprendizagem, mas que pouco se ocupam com o processo, não coloca o estudante como protagonista, fomentando, portanto, a evasão escolar.
Outrossim, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o terceiro país, entre as cem nações com os maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), a apresentar a maior taxa de evasão escolar. Assim, as sequelas ocasionadas por essa preocupante realidade impactam, negativamente, variados âmbitos sociais, a saber: segurança pública, economia, saúde e outros, haja vista que, ao abandonar os estudos, o indivíduo torna-se mais suscetível à criminalidade, a ter, ao longo de sua vida, dificuldades no mercado de trabalho e a obter limitadas oportunidades profissionais. Assim sendo, toda a nação brasileira sofre com essa problemática, obtendo, portanto, impasses para o seu desenvolvimento e como afirma o filósofo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”
Em suma, percebe-se que, no território nacional, o sistema de aprendizagem obsoleto tornou-se um dos agentes fomentadores da evasão escolar. Desse modo, é imprescindível que o Ministério da Educação, em conjunto com as Secretarias de Educação, promova uma política de modernização do ensino brasileiro, a qual pode ser obtida por meio do investimento no ensino prático - método que estimula o aluno no processo de aprendizagem -, além de trazer a tecnologia para as salas de aulas, instigando um maior diálogo entre os docentes e os discentes. Assim, tem-se como fim reverte tal quadro nacional.