Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/07/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos os indivíduos o acesso ao meio educacional e determina a matrícula obrigatória na educação básica. Entretanto, nota-se que, na prática, tal direito não é usufruído por uma parcela considerável do público infantojuvenil, pois certos fatores presentes na realidade brasileira provocam a saída de crianças do âmbito escolar. Assim, faz-se fundamental analisar esses fatores, representados não só pela falta de suporte da instituição parental, como também pelo próprio desinteresse dos jovens quanto à formação acadêmica.
Inicialmente, é válido reconhecer a desassistência familiar relativa ao ambiente de ensino como uma das principais origens da problemática. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a família tem como principal responsabilidade iniciar o processo de socialização de modo a internacionalizar nos indivíduos regras e valores que o levem a completar o desenvolvimento social na escola. Nesse contexto, a ineficiência dos pais brasileiros em promover a inserção das crianças nos locais de aprendizagem confronta o pensamento de Durkheim, já que esse comportamento impede o cumprimento do papel familiar e desestrutura a ascensão social, econômica e intelectual que poderia ter sido alcançada por esse grupo a partir da formação escolar continuada. Dessa forma, nota-se o caráter negativo da passividade parental quanto à persistência da evasão escolar no País.
Além disso, o desprezo do próprio grupo infantojuvenil pelo meio educacional também pode ser apontado no estudo da problemática. Segundo o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, as tendências comportamentais dos indivíduos hodiernos são orientadas pelo imediatismo e pela superficialidade nas relações sociais. Nessa perspectiva, os jovens brasileiros tendem a se afastar constantemente do âmbito escolar, visto que esse espaço exige empenho contínuo e aprofundado dos alunos para se obter resultados à longo prazo, o que contrasta fortemente com as habilidades comportamentais observadas por Bauman. Dessa forma, é imprescindível tornar o espaço escolar mais atrativo para as crianças como forma de coibir a saída de pessoas desse ambiente.
Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para amenizar a evasão escolar e os fatores que levam a sua ocorrência no País. Logo, é mister que o Estado, como provedora do meio educacional, promova a conscientização da família acerca da importância de assistir o grupo infantojuvenil, mediante campanhas publicitárias que objetivem informar a sociedade sobre os benefícios de manter os jovens nas escolas. Outrossim, o Ministério da Educação deve estimular o interesse dos próprios jovens em estar nas instituições de ensino, por meio da instauração de matérias na grade curricular que visem a superação das tendências comportamentais hodiernas.