Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/07/2019

A vinda da família real ao Brasil propiciou os primeiros investimentos direcionados à criação de escolas e formação de docentes no país. Contudo, no fim do século XIX, apenas 10% da população brasileira em idade escolar estava matriculada em escolas elementares, dado que demonstrou a ineficácia da gestão portuguesa. Tal problemática da realidade brasileira reflete nos dias atuais com a crescente evasão escolar.

Nesse contexto, o abandono escolar torna-se um ciclo, já que, de acordo com a BBC, filhos de pais que não concluíram os estudos possuem tendência maior a também não fazê-lo. Além disso, a dificuldade em sanar a falta de engajamento com a escola, a gravidez na adolescência e a defasagem de ensino acumulada em anos interiores agravam os índices de evasão escolar, que ultrapassam 11% no ensino médio, de acordo com o Censo. Ademais, essa situação corrobora para o aumento da violência, pois alia-se ao fato de que a maioria das escolas que apresentam alta taxa de abandono estudantil estão localizadas em regiões violentas e, devido a isso, é comum que jovens sejam aliciados por bandidos.

Outrossim, outra problemática da realidade brasileira que contribui para a evasão escolar é a gravidez na adolescência, que, no país, é maior que a média mundial, de acordo com a ONU. Em decorrência disso, as principais afetadas são as mulheres que, sem uma rede de apoio, dificilmente voltarão à sala de aula para dar continuidade aos estudos. Dessa forma, sem a quebra do ciclo, os índices de escolaridade do Brasil dificilmente evoluirão, situação que é exposta pelo crescimento da Geração Nem-Nem, de jovens que nem estudam e nem trabalham. Diante dos fatos expostos, é importante salientar que a evasão escolar nada mais é que uma consequência dos problemas comuns à realidade brasileira e que apenas uma mobilização em diversos setores o solucionaria.

Assim sendo, para mitigar os danos relacionados ao abandono escolar, é imprescindível que o Governo Federal, em parceria com as Secretarias de Educação, criem ações que conscientizem os alunos sobre o engajamento com a escola, sobre a gravidez na adolescência e sobre a defasagem de ensino acumulada em anos anteriores, a partir de palestras e “workshops” nas escolas com educadores da ONG Todos pela Educação, por exemplo. Por meio dessas medidas, a problemática da realidade brasileira e de seus impactos na evasão escolar seriam solucionados, garantindo o avanço da escolaridade no país.