Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 23/07/2019
Professores, alunos, famílias. Tríade fundamental para a construção de um projeto educacional pleno, mas que agoniza diante da perda de um de seus pilares para a elevada taxa de evasão escolar brasileira. Ao passo em que crescem estudos voltados a comprovação dos efeitos negativos desse fenômeno, evidencia-se, também, o aumento do número de alunos cada vez mais distantes das salas de aula.
Quando Paulo Freire afirma que o ensino eficiente é aquele pautado na interação do aluno com sua realidade, evidencia um processo até hoje utópico em muitas escolas do país. Diante de cenários em que o excesso de conteúdo e a falta de contextualização do tema são frequentes, os estudantes se veem desmotivados a continua indo às classes, sendo esse um dos fatores que contribuiu para que 1,3 milhões de jovens a partir dos 15 anos tenha abandonado os estudos no Brasil, conforme dados do Instituto Unibanco.
Faz-se mister, ainda, ponderar os fatores socioeconômicos como agravantes da situação. Considerando que a maioria dos egressos já no ensino fundamental integram as classes econômicas menos favorecidas, conforme dados do Apendizagem em Foco, muitas famílias veem na evasão a chance para que o ex-aluno trabalhe e passe a contribuir com a renda da casa. Diminuem, assim, as oportunidades de que esses jovens alcancem boas posições no mercado de trabalho no futuro, devido a interrupção em sua formação acadêmica.
Evidencia-se, portanto, que o abandono escolar é uma problemática com repercussões para toda a sociedade. A fim de minimizar sua ocorrência, secretarias estaduais e municipais de ensino devem investir recursos em tecnologia para as escolas, proporcionando aulas mais interativas e práticas nos laboratórios e bibliotecas. Cabe, ainda, à instância federal fortalecer programas de apoio financeiro às famílias em situação de vulnerabilidade social cujos filhos frequentam as escolas.