Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 24/07/2019
Durante o século XVIII, na Revolução Industrial, crianças eram obrigadas à trabalharem nas fábricas, em condições desumanas que ocasionavam aos jovens o desenvolvimento de patologias e a baixa qualidade educacional. Nesse viés, hodiernamente, percebemos a herança deixada pelo século das luzes, o qual mesmo diante de diversos direitos garantidos aos jovens, eles ainda precisam abdicar de sua infância e de seus estudos para trabalharem precocemente e posteriormente acabam marginalizados pela falta de qualificação. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à ineficiência do Estado e à falta de instrução dos responsáveis.
A priori, é notória a precariedade do sistema educacional brasileiro, o qual falha no provimento de serviços estruturais básicos, como transporte e materiais para atender toda a população. Isso corrobora com o filósofo Aristóteles, o qual afirmava que, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Assim, os diversos retrocessos nas políticas públicas, ocasionaram uma declínio no sistema educacional, o qual não possui estrutura e recursos suficientes para atender a demanda de alunos e acarreta na evasão deles da escola e o ingresso imaturo no mercado de trabalho, o qual por ser extremamente ríspido leva o jovem a recorrer a criminalidade.
Outrossim, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, a educação básica é um direito inato e inalienável ao jovem, o qual deve frequentar a escola regularmente para seu aprimoramento educacional. Entretanto, é usual a presença de jovens no mercado de trabalho informal para poder ajudar com o sustento da família, como no período da Revolução Industrial, mas também é comum jovens adentrarem na informalidade, devido a falta de instrução dos responsáveis, os quais afirmam que a escola é uma perda de tempo e que a criança deve trabalhar o mais cedo possível. Assim, esses jovens têm seu futuro prejudicado pela falta de formação educacional que não recebeu na infância e cria-se um ciclo de gerações mal informadas, as quais desvalorizam a importância da educação.
Portanto, para o aprimoramento de serviços básicos e a valorização do papel da educação na sociedade, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, cabe à Câmara de Deputados, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, a ampliação de recursos no setor educacional, os quais possam ser aplicados no melhoramento da infraestrutura educacional, como transportes, novas tecnologias e incentivos e que possam ser fiscalizados rigorosamente pelos mesmos, a fim de que haja uma melhora e transparência no sistema pedagógico. Ademais, assiste ao Ministério da Educação, por intermédio de programas inclusivos, a criação de projetos, os quais levem informações da importância da educação até a casa dos jovens para os seus familiares, para que haja uma sociedade cônscia.