Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/07/2019

No livro “Os donos do poder”,o sociólogo Raymundo Faoro descreve, com base nas teorias de Max Weber, como o legado patrimonialista -herança da colonização portuguesa- contribuiu de forma negativa na origem de impasses sociais. De maneira análoga, hoje Faoro perceberia acertada sua tese, em razão da evasão escolar no Brasil, uma realidade que reflete negativamente no âmbito social, tanto pela necessidade precoce de inserir-se no mercado de trabalho, quanto pela falta de investimentos na conjuntura escolar.Portanto, cabe avaliarmos os reflexos que comportam esse quadro.

No cenário atual que comporta a evolução tecnológica, a sociedade se encontra anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive, empenhada em adaptar-se a elas.Porém, o mesmo não se vê quando se trata da evasão escolar, que atrelada à necessidade que muitos jovens têm de empregar-se, encontra espaço para sua inserção no corpo social. De acordo com o Pnud ( Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento), o Brasil tem a terceira maior taxa de abandono escolar, sendo ela de 24,5, um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se aos jovens de baixa renda fosse dada a oportunidade tanto de estudar como de ajudar sua família e, por conseguinte, a diminuição da evasão.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de investimentos púbicos no que tange ao transporte escolar Como outro fator agravante. Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade e descaso. Sob a óptica desse pensamento, é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo impossibilita que investimentos sejam destinados ao uso do transporte gratuito de jovens que moram em locais de  difícil acesso e distante da instituição de ensino, possibilitando a progressão do entrave.

Infere-se, portanto, que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática. Dessa maneira,urge que a esfera governamental, em parceria com o Mec, planeje e promova projetos que financiem a ida escolar dos jovens mais carentes por meio de um levantamento da renda financeira de cada aluno em todas as instituições públicas. Ademais,os mesmos devem garantir o auxílio transporte, primordialmente, àqueles que residem em locais de difícil acesso.A partir dessas ações, apraz que um dos impasses originados, segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.