Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/07/2019
Conforme propõe a Constituição Federal, todos devem ter acesso aos seus direitos básicos, sobretudo à educação. No entanto, a prática deturpa a teoria, uma vez que os casos de evasão escolar têm aumentado exponencialmente. Esse processo decorre da mecanização educacional e da falta de ação efetiva do governo associados às condições socioeconômicas.
A priori, na composição “Estudo Errado”, de Gabriel, o Pensador, é perceptível a alusão ao ensino de base tradicional a que estão submetidos os estudantes. Nesse contexto, a educação, funcionando como um sistema de seleção empresarial, é responsável por mecanizar o ensino e torná-lo desinteressante. Consequência direta dessa inversão do papel educacional é o abandono da escola pelos jovens, que, por não se sentirem estimulados para continuar os estudos, preferem adentrar informalmente no mercado de trabalho e auxiliar no sustento familiar. Prova clara disso é que, conforme dados do IBGE, quase um milhão e meio de adolescentes deixaram a escola sem concluir os estudos.
A posteriori, o governo, embora proponha a educação como direito fundamental, é ineficiente em garanti-la para todos, visto que, principalmente nas áreas vulneráveis, a evasão escolar ainda é alarmante. Isso se dá devido à falta de mecanismos estatais que viabilizem a conclusão dos estudos, basta ver que, no caso dos moradores rurais, o acesso às instituições é dificultado pela escassez dos transportes escolares. Por isso, tem razão Gilberto Dimenstein ao afirmar que a Constituição prevê muitos direitos, mas nem todos são assegurados, a exemplo da educação básica que até então não é acessível para toda a população.
Portanto, a fim de erradicar a evasão escolar, faz-se necessário que o MEC, órgão responsável pelo planejamento educacional, invista, por meio da pedagogia da sensibilidade, em uma educação humanizada, com o objetivo de torná-la mais interessante e próxima da realidade dos estudantes. Ademais, o governo deve, por intermédio de políticas públicas, disponibilizar mecanismos, como o transporte escolar, que possibilitem a viabilização do ensino. Assim, os cidadãos teriam seu direito à educação assegurado.