Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/07/2019

Em 1934, na Era Vargas, foi publicada a nova Constituição Federal, em que determinava a educação como um direito de todos os brasileiros. Entretanto, apenas a criação de um decreto não é suficiente para certificar o acesso de crianças e jovens nas escolas. Desse modo, a realidade brasileira apresenta um número altíssimo de evasão escolar ao mesmo tempo que apresenta uma estrutura sócio-econômica precária por grande parcela da sociedade.

Logo que, essas questões sejam um fator de grande preocupação para o futuro do país, não só a questão econômica deve afetar diretamente a mudança dessa realidade, mas também o plano de educação que está em desacordo com a realidade apresentada nos dias de hoje. Por isso, o número de evasão nas escolas brasileiras contabilizou cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no ano de 2018. Esse número é causado, principalmente, por questões como, a necessidade de trabalhar, o desinteresse na escola e a gravidez precoce. Assim, é preciso um olhar mais atento das instituições com os alunos, pois é perceptível o desamparo social com esses jovens, por parte da família e do Estado.

Portanto, as escolas não estão preparadas para gerir esse fato, de modo que a educação está moldada de forma mecanizada, em que a política pública não acompanha a realidade da educação brasileira. Dessa forma, os jovens não se sentem acolhidos e interessados em aprender, pois não há um diálogo, uma interação maior dos professores e dos diretores com os alunos, para entender a situação de cada um e, então, oferecer uma assistência maior. Ademais, não há professores preparados para lidar com situações mais complexas, e nem um serviço de assistência social dentro das escolas capaz  de atender as limitações de cada aluno. O que é um atraso para a sociedade, pois a educação tem como objetivo desenvolver na criança e nos jovens estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto, como afirmou Emile Durkheim.

Enfim, tudo isso é reflexo de um sistema de educação que não é capaz de dar o suporte necessário aos cidadãos, garantindo o direito da criança e do adolescente, conforme a Lei de Diretrizes da Educação. Por isso, as Escolas, em parceria com o Estado, devem oferecer um suporte maior aos estudantes, por meio de um acompanhamento psíquico-social, através de psicólogos e professores preparados, com a finalidade de que as crianças e os jovens se sintam acolhidos, psicologicamente e socialmente, e tenham uma base para assegurar sua permanência na sala de aula. Além de terem seus direitos garantidos.