Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
A escola moderna, paradoxalmente, arraigada a marcas do passado enquanto tenta instruir para o futuro já não cumpre seu papel social, se é que já o fez um dia.Contrariando o renomado psicólogo Lev Vygotsky, a maioria das escolas brasileiras não introduz açõe educacionais que levam em consideração aspectos sócio - econômicos da vida de seus alunos. Isso resulta em desinteresse e em evasão escolar.
Primeiramente, é preciso compreender a origem do problema. De acordo com reportagem da Revista Veja, dentre os principais motivos do abandono da escola por alunos do primeiro ao quinto ano são : falta de transporte escolar, dificuldade de acompanhar o ritmo de aprendizado da turma e doenças. Já a partir do sexto ano até o fim do Ensino Médio, a falta de interesse e a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar e gravidez precoce são os fatores que frequentemente levam à evasão escolar. Isso demonstra que necessidades sócio - econômicas podem determinar a presença ou ausência de um aluno na escola.De acordo com o IBGE, 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos deixaram de frequentar a Escola. Logo, é preciso rever a forma como se educa no Brasil, é preciso que educadores passem a considerar as realidades vivenciadas por seus educandos para reduzir esse número.
Em segundo momento, é preciso salientar que além da educação ser um direito previsto no artigo quarto do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que deve ser assegurado pela sociedade e pelo poder público, ela é um meio de evitar a inserção de crianças e jovens em atividades ilícitas. Como demonstrado no documentário “Falcão, meninos do tráfico”, jovens que não têm acesso a uma educação de qualidade e que vivem sob condições degradantes, podem se tornar alvos mais susceptíveis à aliciadores do tráfico de drogas. Mudar a forma como se educa no Brasil, levando em conta determinantes sociais é uma forma de ir de encontro ao que é proposto em lei e de evitar a inserção de jovens na vida criminosa.
Urge, portanto, adotar medidas para reduzir o abandono dos estudos. É preciso que Municípios e Estados criem um sistema de manejo que priorizem matrículas de alunos em locais próximos às casas dos educandos e , ainda, forneça transporte gratuito para aqueles que não têm a possibilidade de estudar perto de suas residências.Além disso, semelhante ao que foi feito na Escola Campos Salles , em Heliópolis, é preciso que educadores conheçam a realidade social, cultural e econômica de seus alunos e passem a adotar um sistema de ensino diferenciado, que agregue os interesses pessoais dos alunos, o contexto em que vivem e o conteúdo programático que deve ser administrado durante a vida escolar.