Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/07/2019

Na obra “Conto de Escola”, de Machado de Assis, é retratada a vida de Pilar que, apesar de ser muito inteligente, não gostava de frequentar a escola, e ambicionava mais a rua do que as salas de aula. Ao sair da esfera de ficção, é notório que, por diversos fatores, o abandono escolar se tornou um grave problema público brasileiro na contemporaneidade. Nessa perspectiva, cabe analisar e discutir o que motiva essa questão e seus efeitos para o futuro do país.

Em uma primeira análise, é fundamental pontuar que a precária condição socioeconômica é uma das principais causas para a saída de crianças e adolescentes do ambiente escolar. Isso ocorre pois, em áreas rurais e em periferias urbanas, onde a ausência do Estado é maior, o acesso às escolas são limitados devido a dependência apenas da rede pública, que muitas vezes sofrem com a limitação de vagas e com escolas sem recursos para realizar atividades extras que possam integrar mais os estudantes. Dessa maneira, o papel que a educação deveria exercer, segundo Platão em sua obra “A República”, de encaminhar os cidadãos para a virtude da justiça e do bem a fim de direcionar o estilo de vida da cidade, não é contemplado de maneira efetiva.

É preciso ressaltar, consequentemente, que a evasão escolar gera uma ampliação de trabalhos informais e de pessoas menos qualificadas. Tal questão acontece pois o mercado de trabalho atual prioriza àqueles com currículos mais completos e com mais experiência, assim, pessoas que por falta de oportunidade ou por falta de condições financeiras não conseguiram uma graduação ficam à margem da sociedade. Como prova disso, dados do IBGE mostram que em 2018 mais de 30 milhões de trabalhadores foram atingidos pelo mercado informal, o que corrobora para a manutenção do ciclo de subemprego no Brasil.

É imprescindível, portanto, que há necessidade de reverter o cenário atual. Dessa forma, as prefeituras em parceria com as secretarias municipais de educação, pela capacidade de organizar e aperfeiçoar o ensino básico, deve planejar um aumento do número de vagas e vistoriar as escolas mais defasadas, por meio de assistentes sociais e psicólogos que possam debater com alunos e professores sobre atividades e melhorias que possam ser feitas nas instituições, a fim de promover maior integração e desenvolvimento dos estudantes para que tenham a garantia de um futuro melhor.