Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/07/2019

Conforme o princípio da inércia, primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer parado até que uma força suficiente atue e mude o seu percurso. Nesse sentido, verifica-se que, ao analisar-se o abandono escolar no contexto brasileiro, fatores como a negligência do Estado e a irresponsabilidade familiar, funcionam de forma análoga ao que se observa na lei de tal físico. Por isso, é necessário tomar medidas que alterem a perspectiva dessa problemática.

Primeiramente, vale ressaltar que a ineficiência do poder público, na garantia de direitos fundamentais, é um fator preocupante. De acordo com o artigo 3º, inciso III, da Constituição Federal de 1988, é objetivo fundamental da República Federativa do Brasil erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Entretanto, tendo em vista os desdobramentos da evasão escolar no país, percebe-se que tal objetivo não é alcançado. Isso acontece, uma vez que, a educação não é priorizada, há falta de diálogo entre a escola e a família e inexiste políticas eficientes voltadas para ajudar os estudantes. Consequentemente, há um aumento da violência e criminalização, trabalho precário e de baixa renda, além do crescimento da desigualdade.

Cabe mencionar, em segundo plano, o distanciamento da família na vida escolar dos alunos. Isso ocorre, pois os pais ou responsáveis não acompanham o desempenho e a trajetória do estudante ao decorrer de todo período colegial, falta apoio à constante frequência na escola e consciência da importância da formação acadêmica. Consoante à matéria divulgada pelo Politize, todo ano 1,5 milhão de jovens sequer se matriculam no ano letivo, outros 700 mil abandonam a escola durante o ano letivo, ou seja, isso mostra a necessidade de aproximação familiar na vida do aluno. Dessa forma, ações são necessárias para alterar a trajetória inercial, prevista por Newton, do abandono escolar no Brasil.

Diante dos fatos supracitados, é imprescindível forçar a mudar o estado de repouso do problema através de medidas. Logo, cabe ao MEC e as escolas aplicarem medidas que aumentem a relação escola-família e desenvolverem políticas assistenciais, por meio da organização de articuladores comunitários que estabeleçam conexões com a família em domicilio e criação de programas remunerativos de acordo com a frequência e desempenho de cada estudante, a fim de reduzir o abandono escolar e melhorar a qualidade de vida da população.  Paralelamente, é dever da família tornar-se mais responsável e ativa na vida acadêmica dos estudantes, a partir do acompanhamento em casa e na escola e da motivação aos estudos, com o objetivo de evitar o subemprego, a baixa renda e a desigualdade.