Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/07/2019

Desde o fenômeno da Revolução Francesa, entende-se que a força da mudança advém da capacidade de um se mobilizar com o problema do outro. No entanto, quando observamos o problema da evasão escolar na realidade brasileira, verifica-se que essa força é constatada na teoria e não, como desejado, na prática, seja pela omissão do Estado em não garantir saúde, segurança e educação, que é previsto constitucionalmente, seja pela forma como a sociedade tornou habitual certas práticas. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tais atitudes para a sociedade.

Em primeira análise, é importante destacar a função do Estado nessa problemática. John Locke, em sua teoria do contrato social, propôs que o homem abdicaria de sua liberdade em prol do Estado e esse, em troca, garantiria-lhe o básico para sua sobrevivência. Em análise a isso, percebe-se que o Estado falha em cumprir sua parte, principalmente no tocante a educação, pois conforme divulgado pelo IBGE, em seus últimos dados, o número de jovens que não concluíram o ensino regular passa de 1 milhão. Tal número é bastante preocupante e que, aliado as outras problemas, como: estrutura escolar defasada, falta de transporte escolar e menor inserção da população mais vulnerável no ambiente educacional, torna a situação um grande problema.

Ademais, é necessário salientar o papel da sociedade nesse conjunto problemático. Ao estudar a sociedade, o sociólogo Émile Durkheim, sugeriu seu funcionamento comparado a um corpo biológico, e como tal corpo, para seu correto funcionamento, cada parte deve agir de forma harmônica e coesa. Diante disso, fica evidente que a educação familiar pode ajudar a diminuir o grande índice de evasão escolar, porque conforme divulgado pela revista Veja, em 2017, a família é um agente nessa problemática, pois em muitas situações os próprios pais não dão a devida atenção aos estudos de seus filhos e, em algumas situações, até forçam seu filhos a trabalhar para ajudar financeiramente em casa.

Fica evidente, portanto, que a evasão escolar na realidade brasileira é um problema conjuntural. O governo federal, em ação conjunta com o Ministério da Educação e Planejamento, precisam criar um  grupo estratégico para mapeamento detalhado das regiões do país com maior índice de defasagem escolar com o objetivo de analisar, estudar e propor soluções de médio e longo prazo a fim de diminuir o número de jovens que ainda estejam em situação de abandono escolar. A mídia por sua vez, com participação do estado, pode criar campanhas de cunho informativo em horário nobre visando atingir a maior quantidade possível de famílias com objetivo de informar sobre as consequências da falta de educação em suas vidas e de seus filhos. Talvez, com tais propostas, o ideal de sociedade preconizado por Durkheim possa ser alcançado.