Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/08/2019

A Constituição Federal de 1988 diz que a educação é direito de todos os cidadãos brasileiros. No entanto, a prática não corresponde a teoria, uma vez que a evasão escolar ainda é muitos expressiva no país. Isso se dá, entre outros fatores, pela falta de oportunidades oferecidas pelo Estado e pelo pouco estímulo familiar dos jovens aos estudos. Assim, esse cenário cria um grande obstáculo social a ser ultrapassado para atingir o bem-estar geral.

Nesse contexto, é possível analisar o papel do Estado no aumento da evasão escolar no Brasil. Segundo o filósofo John Locke, é dever do governo instituído garantir os direitos dos indivíduos em sociedade. Contudo, essa ação no Brasil é falha, haja vista o pouco investimento do erário nos jovens e adolescentes mais pobres, que precisam não só de educação acadêmica, mas de qualidade de vida fora das escolas. Dessa maneira, a falta de apoio estatal no cuidado com esses indivíduos no que tange ao suporte de alimentação, saúde e moradia fazem com que eles deixem o âmbito educacional mais cedo, em busca de trabalho para suprir as necessidades básicas de sobrevivência.

Além disso, a influência da família pode levar os estudantes a saída permanente das salas de aula.

Análogo ao conceito do fato social do sociólogo Émile Durkheim,  instrumentos sociais e culturais de uma população moldam o comportamento padrão. Com efeito, uma família pouco instruída no meio educacional, a qual não concluiu o ensino fundamental ou médio, tende a passar esses valores aos filhos, principalmente em regiões mais pobres. Dessa maneira, eles são precocemente levados ao trabalho para permitir que a família tenha condições de manter a vida em determinado momento de dificuldade.

Infere-se, portanto, que a evasão escolar é um reflexo da realidade brasileira de fragilidade familiar e negligência estatal. É imprescindível, então, a atuação do Ministério da Educação, importante instituição do governo nacional, no oferecimento de bolsas de auxílio para os alunos carentes, a partir do uso do erário, para promover melhor qualidade de vida fora das escolas e gerar maiores oportunidades de conclusão do ensino colegial. Ademais, empresas privadas, por meio de acordos com o Governo Federal, podem oferecer cursos profissionalizantes aliados ao currículo educacional, com o pagamento de salários, à vista de promover a inserção dos jovens estudantes no mercado de trabalho e evitar que deixam a escola. Logo, essas pessoas terão seus direitos plenamente garantidos conforme escrito na Constituição Cidadã.