Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 16/08/2019
Na história infantil “Pinóquio”, o menino de madeira mente para seu pai e vai ao circo em vez de ir estudar. Fora da literatura, os casos de crianças que, como Pinóquio, faltam à escola esconde uma triste realidade no Brasil atual: a evasão escolar. Cabe analisar, então, os motivos disso, a saber, o desinteresse e a necessidade de trabalhar, a fim de encontrar soluções que coloquem, de fato, os jovens de volta às aulas.
É preciso, antes de tudo, entender que a realidade do aluno está, muitas vezes, dissociada do conteúdo escolar. Em consonância com o educador português José Pacheco, idealizador da “Escola da Ponte”, o dilema da escola atual está no fato de ser um modelo do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI. Isso acontece porque o indivíduo não vê, de forma pragmática, a aplicação da vivência acadêmica no contexto em que está inserido e prefere buscar outras formas de se encaixar às exigências da contemporaneidade.
Somada a essa aparente rivalidade de visões, está a necessidade de alguns jovens em abandonar a escola para trabalhar. De fato, o Brasil é um país heterogêneo e com diversas e injustas realidades socioeconômicas, o que se justifica pelo “Índice de Gini” - medidor de desigualdade - ser 0,515, conforme a “ONU”. Com isso, para parte da sociedade, o estudo torna-se um futuro distante adiado pela necessidade de complementar a renda familiar, o que se configura como um aviltante “calcanhar de Aquiles”, ou seja, o impedimento dessas pessoas. Prova disso é que a receita “per capita” de quem completa o ensino médio é o dobro se comparada a de quem não conclui o fundamental, segundo o IBGE.
Torna-se evidente, portanto, que a evasão escolar é uma realidade atual. Por isso, cabe ao Ministério da Educação propor mudanças na Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Isso deve ser feito por meio de uma pesquisa “online” desenvolvida por educadores a ser respondida pelos alunos, a qual busque uma parceria entre o corpo docente e discente para que a escola atenda as necessidades dos estudantes do século XXI. Com essa medida, as instituições de ensino não serão mais desinteressantes aos jovens. Ademais, o Governo deve destinar um subsídio às famílias carentes, a fim de que as crianças possam estudar e não passem dificuldades financeiras. Assim, casos como o de “Pinóquio” serão exclusividade das ficções e a volta às aulas será para todos.
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