Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/08/2019

Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Sweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é ate hoje repetido: “Brasil, país do Futuro”. Entretanto, quando se observa o discrepante índice de abandono escolar de crianças e adolescentes que se encontram em extrema situação de vulnerabilidade social, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, deve-se analisar as razões que fazem dessa problemática uma realidade.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que consoante o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever a família, da sociedade em geral e do poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, a alimentação e a educação. Não obstante, esse dever social não está sendo garantido, haja vista que segundo dados do IBGE, 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da Instituição de Ensino. Nessa perspectiva, infere-se que os direitos das crianças e dos adolescentes referentes a educação estão sendo corrompidos, em decorrência da negligência, do descaso  e do abandono governamental.

Outrossim, com o desdobramento dessa temática denota-se que a realidade sócio-econômica  e espacial dos alunos que abandonam os estudos, é na sua grande maioria, extremamente frágil. Desse como, depreende-se que a gritante desigualdade social também corrobora para o agravamento dessa problemática, haja vista que quanto menor a renda, menor é a probabilidade do aluno conseguir concluir o Ensino Médio na facha etária correta. Sendo assim, é indubitável salientar que o alto índice de evasão escolar está diretamente relacionado com a pobreza. Nessa conjuntura, denota-se que a Constituição brasileira, decerto, tem ido em contraponto com seus próprios princípios legais: educação básica obrigatória.

Portanto, é imprescindível que medidas efetivas sejam tomadas para amenizar a evasão nas instituições de ensino e assim garantir com absoluta prioridade os direitos dos jovens. Logo, é necessário que a Secretária de Educação envie agentes sociais em busca dos jovens que apresentam elevadas faltas e após a identificação desse indivíduo é preciso que o agente o incentive a retornar para as atividades escolares, e também é de extrema importância que o tal aluno seja acompanhado por psicólogos e principalmente pela Instituição de Ensino. E também, para que tais ações sejam efetivas é preciso que o MEC junto com a Secretária, criem um projeto de adesão escolar com o objetivo de manter os alunos na escola com uma participação ativa, por meio de atividades exportivas e aulas extra curriculares. Desse modo, o Brasil do futuro idealizado por Zweig estará mais tangível.