Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/08/2019

Para o célebre filósofo político, Imanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. De maneira análoga, quando se analisa as sociedades pós-modernas, é evidente que a maneiras que os indivíduos se portam na sociedade é fruto da educação que receberam. Sendo assim, surge a discussão a respeito da militarização das escolas públicas para o combate da violência no Brasil. Portanto, é necessário considerar que, se de um lado há a instauração da disciplina; por outro, há a supressão do senso crítico e liberdade de expressão.

Segundo a teoria da tábula rasa de John Locke, “O ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse ínterim, uma vez que o indivíduo, por intermédio da escola, é habituado a seguir comandos e apresentar disciplina em todas as suas ações, é esperado que isso reflita em sua vida, tornando-o uma pessoa ética e responsável. Desse modo, a militarização das escolas contribuiria para a redução dos índices de violência urbana no Brasil.

Por outro viés, é necessário levar em consideração a relação entre liberdade de expressão e pensamento com o regime militar. Ao longo da ditadura militar instaurada no Brasil em 1964, houve um forte processo de censura, não sendo permitida a propagação de ideologias divergentes às pregadas pelo sistema. Similarmente, acho nas instituições sob o comando militar, suprimindo o senso de criticidade dos alunos, por meio de um regime de obediência cega. Prova foi o colégio militar que, neste ano, não autorizou seus alunos participarem das olimpíadas de história.

Infere-se, portanto, que apesar de a educação militarizada ser eficiente no quesito disciplina, algumas questões precisam ser ponderadas. Dessa maneira, cabe aos governantes estaduais e municipais, como responsáveis pela educação básica, promover a associação entre civis e militares, constituindo limites claros para a atuação de cada um deles. Desse modo, ficaria os militares responsáveis, unicamente, pela disciplina dos discentes enquanto os civis ficariam encarregados da educação formal, desenvolvendo o senso crítico. Assim, conseguir-se-á promover cidadão completos, que além de disciplinados são críticos.