Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 10/09/2019
“O ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças”. O sociólogo Roberto Freyre deixa clara a importância que uma nação deve ter com as crianças e os adolescentes. Conquanto, hodiernamente a falha do poder público e também, a omissão das famílias e escolas reflete diretamente na questão da evasão escolar no Brasil, segundo o Censo, foram 1,3 milhão de matrículas a menos no ano de 2018. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação.
Mormente, o descaso estatal com essa camada é significativa. Isso porque falta investimentos para a melhoria das infraestruturas, como também, para a qualificação de professores. Tais aspectos contribuem para o afastamento dos jovens, pois o local que deveria ser de acolhimento e aprendizado, torna-se um ambiente escasso e um cenário para a prática da violência. Tal fato é comprovado por pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na qual aponta que 4 em cada 10 alunos que abandonaram a escola, alegavam desinteresse para não voltar ao ambiente estudantil. Segundo o levantamento esses jovens não tinham interesse no conteúdo aplicado em sala de aula, o que teve como consequência, o abandono.
Ademais, outra dificuldade enfrentada por eles para alcançar a formação educativa se dá pela falta de apoio e pela situação precária em que vivem. Isso ocorre devido a evasão escolar se concentrar mais em bairros pobres e muitas vezes, o jovem se torna o único meio de garantir a renda familiar e são obrigados a procurar empregos e assim, abandonar a escola, situação essa que é comprovada pela mesma pesquisa realizada pela FGV, em que 27,% abandonam a escola para dedicar-se ao trabalho. Ou seja, a família se torna também a responsável pelo abandono do jovem ao ambiente escolar.
Portando, o ornamento da vida está em declínio, por isso, mudanças fazem-se urgentes. O Governo em parceria com o MEC deve elaborar um plano de reestruturação educacional, com investimentos em tecnologia e especializações de professores, a fim de atrair os alunos para a sala de aula com aulas dinâmicas. Além disso, o Poder Público deve implantar assistentes sociais para trabalharem em bairros que existe uma maior taxa de evasão e conversar com famílias para que fique claro a importância da educação na vida de uma criança e incentiva-las a participarem de programas públicos e projetos como o PESCAR, que promove a especialização de jovens no meio do trabalho, mas com a exigência de que eles frequentem as escolas. Só assim, será possível mitigar a evasão e controlar essa mazela educacional.