Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/09/2019

O 6º artigo da Constituição  Federal Brasileira de 1988, guiada pelo ideal de igualdade difundido pela Revolução Francesa, garante o direito à educação aos cidadãos. Entretanto, apesar disso, tal direito carece de aplicação prática, ao passo que a problemática da evasão escolar evidencia-se no Brasil, privando diversos jovens do acesso a educação. Nesse sentido, o país enfrenta os impactos decorrentes do abandono escolar, na medida em que a desigualdade socioeconômica e a ineficiência governamental em prover infraestrutura adequada às escolas ocasionam a manutenção de tal contexto maléfico.

Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2014, há 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que evadiram a escola. De certo, tal situação é causada, principalmente, pela desigualdade econômica e social no país, pois, de acordo com o levantamento, a média salarial dos indivíduos que evadem a escola é cerca de duas vezes menor do que os que concluem o ensino. Assim, o direito a educação que deveria proporcionar condições para o acesso igualitário aos estudos, torna-se trivial, ao passo em que não há aplicação aos indivíduos marginalizados, privando-os da cidadania.

Ademais, pontua-se também a ineficiência governamental em prover infraestrutura adequada às escolas públicas como outro importante fator para a manutenção da evasão escolar. De certo, nota-se que o deficitário fornecimento de verbas para o ensino público ocasiona não só a má preservação do ambiente escolar, como também a falta de valorização profissional aos docentes. Assim, baseando-se na frase do filósofo Immanuel Kant ‘‘o homem é aquilo que a educação faz dele’’, é imprescindível o debate acerca da necessidade de investimentos no ensino público, a fim reverter o processo de precarização e garantir a diminuição da evasão escolar.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar os efeitos relacionados à evasão escolar no Brasil. De certo, o Ministério da Educação deve, por meio da maior destinação de verbas as escolas públicas, garantir a permanência dos alunos, por meio da conservação do ambiente escolar e da fiscalização, por parte do conselho tutelar, da qualidade de vida dos jovens mais vulneráveis socialmente. Ademais, deve-se também inserir a formação continuada para os professores, garantindo sua atualização e, consequentemente, melhores salários e valorização. Assim, espera-se que o ambiente escolar torne-se mais atrativo e assegure-se o direito à educação de todos os indivíduos brasileiros.