Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 25/09/2019
Em 1930, o presidente Getúlio Vargas adotou políticas educacionais que foram de grande importância para o avanço da emancipação do ensino, com a criação de escolas e academias para formação de professores. No entanto, no panorama contemporâneo, a formação educacional encontra desafios advindo ,principalmente, da evasão escolar fruto da obsolência do ensino e da inoperância estatal - sobretudo no que se refere a garantia do ensino e educação universal. Logo, é fundamental analisar esse cenário para desconstruir essa realidade.
Em primeiro plano, é importante destacar o modelo anacrônico da educação contemporânea. Sob essa ótica, segundo o sociólogo Manuel Castells, a aprendizagem na maior parte das escolas é obsoleta, haja vista que insiste em reproduzir uma pedagogia baseada na transmissão de informação. Nesse sentido, os alunos não são instigados a refletir e criar diálogos como sugere o método socrático, no qual o professor deve conduzir o aluno a reflexão e descoberta dos próprios valores. Desse modo, a monótona transmissão de conhecimentos contribui para a evasão escolar que, de acordo com o Programa Nacional de Educação, alcança, aproximadamente, 11% do número dos alunos matriculados nas redes de ensino de todo o país.
Outrossim, vale ressaltar que para o filósofo J.J. Rousseau o Estado surge para mediar às relações e evitar que as desigualdades tornem-se verdadeiros abismos sociais. No entanto, verifica-se que o Estado não cumpre seu papel social visto que o cenário de ensino é desigual e desoportuno. Sob essa ótica, de acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),no Brasil, cerca de 21% dos adolescentes de 15 à 17 anos, infelizmente, trabalham e estudam ao mesmo tempo. Essa realidade, é uma das causas da evasão escolar, uma vez que tudo começa pela vulnerabilidade socioeconômica da família, no qual os filhos tem que trabalhar para ajudar na renda da familiar . Tal conjuntura, demonstra a necessidade de ações governamentais mais efetivas.
Entende-se, portanto, que é necessário medidas a fim de mitigar a evasão escolar no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Educação em conjunto com as Secretarias Municipais de Educação reavaliem a proposta pedagógica e metodológica de ensino, inserindo na grande curricular aulas e debates que instiguem os alunos a reflexão e auto conhecimento, como sugere o método socrático, assim, as aulas ficarão mais interessante e incentivarão os estudantes a permanecerem nas escolas. Ademais, cabe ao Estado ampliar programas como Bolsa Família, para que, desse modo, não haja a necessidade dos jovens abandonarem a escola para trabalhar. Dessa forma, caminharemos para a emancipação do ensino, como planejou o ex-presidente Getúlio Vargas.