Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 24/09/2019
Evasão Escolar: Um produto da desigualdade social.
A Constituição Federal, promulgada em 1988, estabelece a todos os cidadãos brasileiros o direito à saúde, à segurança e à educação de qualidade. Entretanto, observa-se a ineficiência na aplicação dessa prerrogativa ao se constatar que quase 15% dos jovens - com faixa etária de 15 a 17 anos - abandonam a escola todos os anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Isto posto, infere-se que a evasão escolar é um problema real no Brasil e persiste devido, não só à desigualdade social, mas também à precária infraestrutura das escolas públicas.
Primeiramente, cabe pontuar que, segundo o Índice de Gini, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. Nesse sentido, percebe-se que há uma relação direta entre os altos índices de evasão escolar e a dissonância de realidades socioeconômicas no território brasileiro, já que a pobreza faz com que os jovens se submetam, precocemente, ao mercado de trabalho, a fim de proporcionarem melhores condições de vida às suas famílias. Por consequência, a escola deixa de ser o objetivo central desses indivíduos, e a dificuldade de compatibilizar horários para o trabalho e os estudos faz com que muitos abandonem o ensino médio.
Além disso, a precariedade das escolas públicas também é um fator que colabora para a evasão escolar. Nesse sentido, embora a CF garanta a isonomia no acesso à educação, verifica-se que grande parte das escolas públicas, sobretudo as estaduais, sofrem com problemas relacionados à insuficiência de professores para todas as disciplinas, à falta de materiais didáticos, à infraestrutura física insatisfatória e com a escassez de alimentos para merenda. Todos esses fatores desestimulam os jovens a permanecerem no sistema de ensino, ou por não se sentirem acolhidos, ou por não considerarem que o tempo despendido para a educação realmente valha a pena.
Portanto, infere-se que a evasão escolar precisa ser combatida. Logo, o Governo Federal deve desenvolver um programa social abrangente, por meio de parcerias com instituições privadas, que garanta aos progenitores de famílias carentes uma fonte de trabalho e de renda digna, a fim de oportunizar aos jovens, a conclusão do ensino médio sem a sobrecarga laboral precoce. Da mesma forma, os Governos Estaduais devem melhorar a infraestrutura das escolas, por meio do aporte de recursos financeiros à rede pública de ensino, a fim de garantir um sistema de aprendizagem adequado e de qualidade aos jovens brasileiros. Assim, espera-se que os índices de evasão escolar diminuam no Brasil, pois, como descreveu Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.