Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/09/2019

Numa sociedade vetusta, com a elaboração da Carta Magna em 1988, foi reconhecida a obrigatoriedade do Estado em garantir o acesso a educação de qualidade a todos os cidadãos brasileiro. Todavia, a aplicação desta premissa é deturpada e, assim como afirma educador Rubem Alves, a educação pode apresentar asas ou gaiolas, uma vez que ou auxilia na superação de limitações ou perpetua condições de exclusão.Nesse viés, frente ao duo social exposto, a assistência de ensino é falha e a evasão escolar recorrente. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se a gravidez precoce bem como o envolvimento na atividade criminal.

A priori, nota-se que o entrave histórico-cultural que coíbe a discussão sobre sexualidade influencia na perpetuação dos casos de gestação adolescente e, consequentemente o abandono acadêmico. De maneira análoga, o livro “Simplesmente acontece” da autora Cecelia Ahern, retrata a vida de Rosie, uma adolescente que tem sua rotina transformada após uma gravidez não programada. Haja vista, que a conciliação entre o estudo acadêmico e a maternidade é inviável, a personagem desiste da graduação. Nesse aspecto, o cenário é similar à gaiola de Alves na qual censura uma parte do corpo social e impede o desfrute de direitos constitucionais como frequentar uma instituição de ensino.

Sob outro ângulo, a desesperança de sucesso com o empenho acadêmico influencia jovens a enjeitar a escola por uma oportunidade de crescimento e dinheiro no mundo do crime. Por conseguinte, a obra literária “Capitães de Areia” de Jorge Amado expõe o cotidiano de um grupo de menores analfabetos -com exceção do “Professor”-  que em meio a escassez de recursos e assistência social cometem diversos crimes em prol da sobrevivência. Fora da ficção, percebe-se que casos como o do grupo de Salvador são corriqueiros e resultam na evasão escolar, uma vez que marginalizados e sem perspectiva de vida o meio delituoso parece a melhor opção. Desse modo, medidas são necessárias para reduzir o números de alunos que abandonam as escolas.

Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais, deve adotar estratégias no tocante à maternidade juvenil a fim de obter a redução da evasão escolar. Essa ação pode ser feita por meio de simpósios que elucidem a importância da proteção e prevenção sexual, além da instalação de creches na própria instituição de ensino que possibilitem as alunas já mães cuidarem de seus filhos e continuarem a escolarização. Ademais, cursos profissionalizantes devem ser incluídos na grade curricular como medida preventiva e uma ampliação de chances de emprego formal, para que casos como o de Pedro Bala de “Capitães de Areia” não ocorra e a evasão escolar seja uma problemática contemporânea extinta.