Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/09/2019

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, caberia à Sociologia o estudo dos “fatos sociais”. Estes, por sua vez, consistiriam em maneiras de agir, pensar e sentir, dotados de coercitividade, exterioridade e generalidade sobre o indivíduo. Desse modo, a evasão escolar no Brasil, constitui um fato social, uma vez que manifesta-se fora das consciências individuais e impõe-se como uma norma imperativa ao influenciar negativamente a sociedade. Dessa forma, para contornar esse obstáculo, é essencial o debate sobre a gravidez precoce e a necessidade de trabalhar dos alunos.

Em primeiro plano, é importante evidenciar que a gravidez precoce é prejudicial ao prosseguimento dos estudos, visto que não permite ao estudante acompanhar o desenvolvimento escolar por um período de tempo considerável, portanto, é desestimulante e, consequentemente, favorece a evasão escolar. Nesse cenário, atrapalha a evolução social. Assim, diminui seus anos de estudo e sua probabilidade de conseguir um bom emprego, é o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somado a isso, o país também sofre, pois perde um futuro e promissor trabalhador, o que contribui para a diminuição do aproveitamento dos cidadãos brasileiros no setor econômico.

Por outro lado, a necessidade de trabalhar, principalmente, dos educandos oriundos de famílias mais humildes, favorece essa intempérie. Nessa perspectiva, o jovem, na maioria das vezes, chega atrasado e cansado na sala de aula, em virtude disso o desânimo surge, haja vista que é necessário estar com o corpo mental e fisicamente dispostos para ter um bom aproveitamento do conteúdo transmitido pelos docentes. Com isso, começam as faltas, as reprovações, o que culmina no abandono escolar. Sob outra perspectiva, o desinteresse pode ser promovido pela própria escola. Falta de qualificação dos docentes e de uma didática que mantenha o aluno focado, são exemplos a serem considerados. Nesse sentido, é conveniente a célebre frase do economista britânico Sir Arthur Lewis, de que a educação nunca foi despesa, mas sim investimento com retorno garantido.

Infere-se, portanto, que essa problemática tem reflexos negativos no corpo social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar esse problema, a princípio, as prefeituras, devem promover um amplo debate com a sociedade, por meio da criação de canais de diálogos entre o povo, os profissionais da educação e saúde, a fim de divulgar os problemas e soluções relacionados a gravidez precoce, com o propósito de reduzir esses casos na adolescência. Ademais, o Estado, de modo geral, deve investir na educação, por meio da capacitação do corpo docente, com a finalidade de melhorar a qualidade do ensino. Somente assim, com o uso dessas ideias, será possível, construir uma sociedade mais democrática.