Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2019
Segundo a teoria do habitus idealizada pelo filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora estruturas que são impostas na sua realidade. Dessa forma, depois de alicerçadas na comunidade, elas são neutralizadas e, por fim reproduzidas. De maneira análoga, a introdução de modelos precários no meio social prejudicam a coletividade, que reproduz o problema da evasão escolar no Brasil, condição que afeta negativamente a vida da população. Nesse contexto, não só a necessidade de trabalhar, mas também a gravidez na adolescência são responsáveis pela persistência e sustentação dessa realidade no país. Em primeira análise, é necessário destacar que os mais atingidos pelo desvio escolar são crianças e adolescentes, sujeitos por uma condição de vulnerabilidade social, como a dificuldade financeira e exclusão social. Nesse sentido, o indivíduo cresce cercado de adversidades, assim, busca por trabalho, na medida em que sente uma obrigação de contribuir com os familiares visando melhores condições materiais. De acordo com o Pnad Contínua, de 2016 para 2017, 343 mil pessoas alegaram, em sua maioria, ter abandonado a escola por motivos inerentes ao trabalho. Dessa maneira, o abandono escolar tange as desvalorizações sociais e econômicas. Ademais, é notório salientar sobre a gravidez precoce, atendo-se ao acesso restrito a informações sobre a educação sexual, continua sendo um tabu na sociedade hodierna que contribui para o fortalecimento da evasão escolar. Conforme, o estudo da Fundação Abrinq, mostrou que quase 30%, das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental o que demonstra pertinência do problema. Com isso, a adolescência onde se pode decidir grande parte do futuro em relação ao mercado de trabalho é enfraquecido. Acentua-se, assim, o teor preocupante relacionado as estruturas absorvidas na sociedade. Infere-se, portanto, que o problema de evasão escolar é prejudicial ao corpo social brasileiro. Nesse cenário, a fim de mitigar esse infortúnio a princípio é necessário que os municípios em parceria com os agentes de saúde pública criar redes de comunicação com a sociedade e o ensino fundamental alertando sobre a gravidez na adolescência. Ainda, o governo poderia reverter parte dos impostos fornecendo bolsas de estudos com ajuda de capitais mensais para auxiliar o contexto familiar do aluno. Somente assim, com a implementação dessas ideias, será possível, por conseguinte, neutralizar essas estruturas do pensamento bourdieusiano.