Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/10/2019

O direito à educação é garantido pela Constituição de 1988 a todos os cidadãos brasileiros e, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pauta-se como dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com prioridade, a efetivação do direito referente à educação. Entretanto, os consideráveis índices de evasão escolar na instrução básica, da creche ao ensino médio, configuram uma realidade brasileira que se mostra distante daquela descrita pela legislação. Dessa forma, as causas que incentivam a fuga estudantil do ambiente acadêmico devem ser elucidadas e superadas para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeiro lugar, a educação é um dos primordiais fatores no desenvolvimento de um país. Porém, ir à escola e permanecer na mesma são ações que não dependem apenas do aluno. Dados do Ministério da Educação revelam que uma das principais razões para evasão escolar é a carência de transporte aos estudantes, principalmente nas zonas rurais e periféricas, sendo o Nordeste a região que mais sofre com a situação. A distância e a necessidade de acompanhar a criança que ainda não está apta para se deslocar sozinha, fazem com que famílias optem por suspender o estudo, uma vez que o exercício escolar se torna árduo para ser praticado.

Em segundo lugar, entre as principais causas do abandono dos estudos pelos adolescentes encontram-se a necessidade de trabalho para sustento da família, gravidez precoce, criminalidade, pobreza e, principalmente, a falta de interesse. Vale salientar que a perda de atratividade escolar é um fenômeno mundial, e cada vez mais as instituições de ensino precisam se reinventar para envolver os jovens. De acordo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma das características da “modernidade líquida” do Século XXI são as transformações rápidas e imprevisíveis que se sucedem. Diante do exposto, a escola demanda por atividades de ensino dinâmicas e intertextuais com a realidade em que os adolescentes estão inseridos, a fim de captar e manter suas atenções.

Portanto, são necessárias medidas que mitiguem a evasão escolar e visem a efetivação da prática de estudos aos jovens, conforme garantido por lei. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação mapear os locais carentes de transporte, investir recursos e ofertar o translado aos alunos de maneira contínua, mantendo fiscalização constante para garantir a eficácia da ação e, garantindo assim, o fornecimento da educação. É imprescindível que as instituições escolares, familiares e o poder público trabalhem em conjunto como um organismo vivo, analisando de perto o desempenho do estudante que quer abandonar os estudos. Ademais, dispor de serviços com psicólogos e assistentes sociais, realizando o acompanhamento e conscientização de todo o núcleo familiar sobre a importância da educação.