Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 05/10/2019
Sísifos Brasiliensis
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito de acesso à educação de qualidade, bem como assistência social para os famílias com jovens em dificuldades, pois a evasão escolas se tornou latente. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e suas ações perante a situação, que se torna cada vez mais desafiadora.
A princípio, a Constituição Cidadã em 1988, garante a educação de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para a sua formação e proteção, todavia, o Poder executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que urge maior atenção às crianças e adolescentes que não frequentam a escola, visto que é essencial para a formação social, bem como isso afetará diretamente o futuro profissional destes.
No tocante às causas dessa problemática, nota-se que um dos principais entraves está na precária presença de recursos, infelizmente, muita vezes de necessidades básicas para sobrevivência. Por exemplo, jovens de baixa renda frequentemente optam pela inserção no mercado de trabalho, com o intuito de ajudar no sustento familiar para melhorar suas condições de vida. Sob essa perspectiva, a partir da Lei nº 8.069/1990, foi criado o Conselho Tutelar (TC), suja entidade é vitalícia, ou seja, não pode ser extinta. Assim, faz-se necessária sua excelência, uma vez que é autônoma em suas decisões, pode corroborar a solução.
Ante exposto, debruçar-se sobre esse impasse é indebutável. Portanto, cabe ao Executivo do Poder Municipal, por meio de investimentos, impulsionar o poder de atuação do CT conforme as exigências de cada cidade, com o fito de abranger todos os núcleos familiares de maneira eficiente. Não obstante, o CT poderá ampliar o número de psicólogos e assistentes sociais a fim de mitigar os entraves com diálogos e auxílios. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.