Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 07/10/2019
Sísifo Brasiliensis
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito de acesso à educação de qualidade, pois, a evasão escolar se tornou latente. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e suas ações perante a situação, que se torna cada vez mais desafiadora.
A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, garante a educação de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para a sua formação e proteção, todavia, o Poder executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicomaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que urge maior atenção às crianças e adolescentes que não frequentam a escola, visto que, é essencial para a formação social, bem como isso afetará diretamente o futuro profissional destes.
No tocante às causas dessa problemática, nota-se que um dos principais entraves está na precária presença de recursos, infelizmente, muitas vezes de necessidades básicas para a sobrevivência. Por exemplo, jovens de baixa renda, frequentemente, optam pela inserção no mercado de trabalho, com o intuito de ajudar no sustento familiar para melhorar suas condições de vida. Sob essa perspectiva, a partir da Lei nº 8.069/1990, foi criado o Conselho Tutelar (CT), cuja entidade é vitalícia, ou seja, não pode ser extinta. Assim, faz-se necessária sua excelência, uma vez que é autônoma em suas decisões, pode corroborar a solução.
Ante o exposto, debruçar-se sobre esse impasse é indebutável. Portanto, cabe ao Executivo do Poder Municipal, por meio de investimentos, impulsionar o poder de atuação do CT, conforme as exigências de cada cidade, com o fito de abranger todos os núcleos familiares de maneira eficiente. Não obstante, o CT poderá ampliar o número de psicólogos e assistentes sociais, a fim de mitigar os entraves com diálogos e auxílios. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.