Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/10/2019

Segundo Aristóteles: “Todos os homens têm, por natureza, o direito de aprender”. No entanto, ao se deparar com o atual cenário do ensino brasileiro, constata-se a contrariedade existente entre a assertiva do filósofo com a realidade, em que nota-se cada vez mais a crescente evasão escolar e a desmotivação dos estudantes pra dar continuidade a seus estudos, desde fatores como a má infraestrutura das escolas à falta de acesso à educação pelos mesmos. Dessa forma, cabe analisar os fatores que propiciam essa situação e as medidas que devem ser tomadas para atenuá-la.

A priori, é notável o cenário de precariedade ao qual está imerso o sistema educacional brasileiro. Ademais, segundo o filósofo iluminista John Locke, o Estado deve ser provedor dos direitos básicos a seus cidadãos, como saúde, educação e segurança. No entanto, o que se vê nas escolas brasileiras, especialmente as de rede pública, são inúmeros problemas que contribuem para a desmotivação dos educandos e, consequentemente, para o aumento dos índices de evasão, como a má infraestrutura, a falta de profissionais da educação e de materiais de qualidade para os alunos, a mostrar, assim, o descaso governamental com a área da educação.

Outrossim, outro fator que influencia diretamente para expandir a problemática é a falta de acesso ao ensino por determinadas partes da população devido a falta de transporte escolar, como aquelas residentes em áreas rurais ao qual encontram-se em regiões mais afastadas e de difícil deslocamento. Consoante a isso, cabe ressaltar que desde a Constituição Federal de 1988, a universalização do ensino para todos foi garantida por lei, porém é perceptível que a mesma não é executada com eficiência. Como prova disso, tem-se dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em que aponta que 731 mil crianças brasileiras estão fora das escolas, a ser esse mais um dos tantos outros problemas sociais existentes no Estado brasileiro.

Destarte, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar o imbróglio. Logo, cabe ao Estado, junto ao Ministério da Educação, realizar investimentos em infraestrutura e na contratação de profissionais da educação, com o fito de melhorar as condições estruturais do ambiente escolar, como também, sanar a falta de professores nas escolas, para que, com isso, se maximize o acesso ao ensino e dê, novamente, aos alunos o estímulo para retornar às suas atividades escolares. Por fim, cabe, também, ao Estado disponibilizar veículos para fins escolares às populações que residem em áreas rurais, a fim de facilitar o acesso das mesmas à escola e propiciar, assim, uma maior democratização do ensino. Com isso, poder-se-á minimizar a questão abordada e fazer com que o pensamento aristotélico sobre à educação vire realidade para os cidadãos brasileiros.