Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/10/2019
Nas últimas décadas, o Brasil avançou bastante no sentido de universalizar a educação, abrindo novas vagas e ampliando a cobertura do ensino. Contudo, a evasão escolar surgiu como um novo entrave para a formação dos jovens no país. Tal problemática decorre do fato de que o Estado não garante uma estrutura social adequada para os estudantes, que por dificuldades ou por falta de motivação se vêem obrigados a abandonar os estudos.
Primeiramente, o contexto social em que vivem os jovens que deixam de estudar é, em geral, marcado pela falta de direitos básicos. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, “cidadão de papel” é aquele que possui direitos garantidos na constituição mas não usufrui deles na prática. O conceito de Dimenstein se relaciona com o perfil daqueles que não conseguem se manter na escola, já que a maioria vêm das regiões mais pobres, onde o ciclo de pobreza perpetua-se devido a negligência total do Estado, que não assegura os direitos sociais básicos. Dessa forma, a maior oferta de vagas não garante a formação dos estudantes, visto que, muitas vezes, sua maior preocupação é prover o sustento da família: situação que impossibilita a permanência na escola.
Depois, a qualidade do ensino e a falta de perspectiva para o futuro também contribuem para a desistência dos estudos. Segundo dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, no ano de 2015, nenhum dos estados brasileiros alcançou 300 pontos de um total de 1000 no teste, demonstrando o quão baixa está a qualidade do ensino em todo o país. Além disso, a crise financeira reduz as perspectivas de futuro, pois os baixos salários oferecidos para vagas que requerem formação no ensino médio e os dados do desemprego assustam os estudantes. Assim, sabendo que sua formação e as oportunidades que o mercado de trabalho oferece são precárias, os alunos se vêem desmotivados e muitos optam pelo abandono da escola.
Depreende-se, portanto, a necessidade de ações por parte do Estado para reduzir a evasão escolar. Cabe ao Governo Federal, analisar os dados que mostram em quais regiões os alunos estão mais propensos a largar os estudos e, juntamente com os Governos Estaduais e Municipais, elaborar planos de desenvolvimento, que visem garantir direitos básicos como emprego, habitação e alimentação para as famílias dessas áreas a fim de que elas possam assegurar a permanência de seus filhos no sistema de ensino. Feito isso, é preciso que os mesmos agentes promovam uma melhoria na qualidade do ensino através de investimentos na infraestrutura das escolas e na formação dos professores. Somente assim, estudar, de fato, fará diferença na vida dos alunos e do país, motivando-os a completar os estudos e a perseguir seus sonhos.