Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/10/2019

O filme Coach Carter retrata as dificuldades de um treinador de basquete para incentivar seus alunos no desempenho acadêmico. Embora fictício, tal cenário levanta debates na sociedade contemporânea, onde imbróglios tangentes à estrutura das escolas, igualdade de oportunidade e amparo familiar são fatores decisivos para a evasão escolar. Desse modo, tendo-se em vista a importância da educação para a formação do indivíduo, é necessário viabilizar a permanência acadêmica.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por assegurar educação e bem-estar social. Contudo, as más condições das escolas públicas brasileiras, somadas à insuficiente frota de transporte escolar, atuam como entraves para a efetivação desse direito. Nesse sentido, investir em infraestrutura, contratação de profissionais especializados e materiais indispensáveis para o aprendizado e conforto nesse ambiente são mecanismos cruciais para diminuir a taxa de evasão escolar.

Por conseguinte, é incontrovertível que a desigualdade social é um dos fenômenos que viabiliza o abandono da escola. Na perspectiva do filósofo John Rawls, a sociedade só pode ser justa se todos os indivíduos tiverem acesso às mesmas oportunidades. No entanto, é notável que uma das razões dessa problemática é busca por um retorno financeiro mais rápido, em vista do sustento do lar, pela parcela demográfica mais pobre. Essa conduta é alarmante, haja vista que propicia o trabalho infantil e dificulta a introdução desses futuros adultos no mercado de trabalho exigente por qualificação profissional.

Ademais, entra em questão o papel da família nesse impasse. De acordo com Zygmunt Bauman, a era contemporânea é caracterizada pela fluidez dos laços afetivos. Sob esse ângulo, é possível observar o distanciamento e a falta de participação dos pais na formação escolar dos seus filhos. Essa conjuntura é prejudicial, pois a falta de cobrança e incentivo enfraquece a motivação dos alunos.

Portanto, o Ministério da Educação deve investir em fatores de permanência acadêmica, isto é, construção de escolas com infraestrutura adequada e contratação de profissionais especializados. Essa medida viabilizará o acesso a instituições de qualidade, capazes de garantir uma boa formação educacional e incentivar a participação coletiva nessa área. De modo simultâneo, o órgão também conceder bolsas auxílio para os estudantes em condições de vulnerabilidade, para que suas demandas financeiras sejam supridas e o estudo seja priorizado. Por fim, é necessário que a Família acompanhe o rendimento e desenvolvimento estudantil de suas crianças, a fim de que estas sejam mobilizadas e amparadas.