Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 11/10/2019
O filme “Preciosa” retrata o drama da vida de uma adolescente que teve que abandonar o colégio várias vezes devido a problemas pessoais. Na trama, é notório os prejuízos que a falta da educação trouxe para a vida da personagem. Fora da ficção, a evasão escolar brasileira é uma problemática hodierna, sendo potencializada por barreiras econômicas e pela conjuntura da educação atual. Por conseguinte, se faz urgente o debate e a dissolução dessa chaga social.
A princípio, é fundamental analisar de que maneira a carência econômica agrava a evasão escolar. Nesse prisma, de acordo com o IBGE, a região Nordeste concentra a maior parcela da população de baixa renda do Brasil e a maior parte dos analfabetos. Assim, devido a distância das escolas e a necessidade de trabalhar para ajudar na renda familiar, os adolescentes acabam deixando o ensino em segundo plano. Dessa forma, a barreira econômica e social, faz com que o direito dos cidadãos à educação, garantido na Carta Magna, seja totalmente negado. Com isso, é importante ações governamentais que auxiliem as famílias mais carentes contribuindo, assim, para a permanência do jovem no ensino básico.
Ademais, ainda é imprescindível ressaltar, para além das questões econômicas, a inflexibilidade do ensino brasileiro. Tangente a isso, a educação metódica brasileira, e a falta de assistência aos estudantes, faz com que a parcela de alunos que se enquadre em determinada situação estável tenha o acesso e a permanência nas escolas. Entretanto, segundo o filósofo e pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação deve se moldar ao seu receptor, o garantindo a melhor forma de aprendizado. Consequentemente, os professores devem ficar atentos às faltas e ao comportamento dos alunos na sala de aula, relatando sempre que houver algo que fuja do ideal. Nesse viés, os pais e os centos de ensino poderão dar um maior apoio à permanência dos jovens nas escolas.
Infere-se, portanto, que a evasão escolar se configura como uma chaga social brasileira, sendo fundamental medidas de intervenção. Desse modo, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), garanta a democracia educacional por meio da construção de escolas nas áreas de baixa renda e, somando a isso, a distribuição de bolsas que auxiliem com os custos desses jovens, assim ampliando a permanência e o acesso à educação. Concomitantemente, cabe as escolas e aos pais ficarem atentos aos estudantes, por meio do contato entre esses dois pilares educacionais, com isso sanando as falhas que motivam a evasão escolar. Só assim, a realidade demonstrada na obra cinematográfica ficará limitada às telas.