Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/10/2019

Consoante Antônio Lobo Antunes, psiquiatra e escritor português, um povo que lê nunca será escravo. Essa lógica remete a ideia do filósofo Immanuel Kant na qual um povo intelectual é caracterizado pela autonomia de seus indivíduos sobre seus respectivos intelectos. Tais pensamentos, embora corretos, não são reflexos da hodierna sociedade brasileira, uma vez que, cada vez mais, o número de evasões escolares aumenta. Logo, de acordo com Antunes e Kant, o povo brasileiro fica à mercê do controle das elites locais. Essa alarmante realidade ocorre não só pelo descaso do governo para com a educação pública, mas também pela falta de infraestrutura e logística necessárias para pleno acesso às escolas.

Mormente, vale ressaltar que o panorama supracitado, infelizmente, salienta a ineficiência do sistema público de ensino no país, no qual muitas crianças, por não se visualizarem prosperando numa vida escolar e acadêmica, acabam por abdicar dos estudos. Conforme o filósofo francês Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre. Todavia, a evasão dos estudos acaba por deixar os cidadãos subordinados às grandes empresas e, consequentemente, perdem, inclusive, suas liberdades. Essa situação é agravada pelo descaso do governo perante à caótica situação do ensino público da nação. Dessa forma, as evasões escolares se perpetuam no cenário nacional, realidade inaceitável para o país.

Ademais, é imperioso frisar que a falta não só de uma logística adequada para o acesso às escolas, como também a de uma infraestrutura ideal influencia muitas desistências aos estudos. Dessa forma, muitos brasileiros ficam suscetíveis a se tornarem submissos ao sistema capitalista. Segundo o conceito “Mortificação do Eu” do sociólogo Erving Goffman, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Tal perspectiva sintetiza a realidade de muitos indivíduos da nação que acabam, muitas vezes, sendo manipulados e persuadidos a trabalharem pelos restos de suas vidas em algo que não lhes satisfaz plenamente. Tudo isso é consequência da falha do sistema educacional e, como já previa o escritor português, o povo que lê, acaba “escravo”.

Diante desse contexto, fica claro, portanto, que medidas são necessárias para atenuar as evasões escolares no contexto nacional. Destarte, é mister que o Governo, aliado ao Ministério da Educação promova investimentos não só na construção de escolas e contratação de professores, mas também numa rede logística que possibilite o estudante se deslocar para a escola com facilidade, por meio da destinação verba ao setor educacional do país. Tais ações devem ter como principal objetivo estimular as crianças aos estudos - de forma que a ida à escola se torne prazerosa e não um sacrifício diário - e, consequentemente, reduzir os abandonos dos estudos. Por conseguinte, os cidadãos do país terão mais liberdade e domínio sobre seus futuros e, consequentemente, uma vida mais satisfatória.