Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/10/2019

Em 1837,durante o Brasil Império,foi construído o colégio Dom Pedro II na cidade do Rio de Janeiro,esse ambiente teria a função social de tornar o ensino brasileiro reconhecido no meio nacional e internacional. No entanto,o descaso orçamentário não validou essa proposta,assim como acontece no contexto hodierno,marcado pela evasão escolar,o que faz o desejo imperial ser algo utópico. Nesse sentido,tanto os aspectos socioeconômicos dos brasileiros como a incipiência do Plano Nacional de Educação catalisam o impasse da inserção de crianças e adolescentes nas escolas.

A priori,é válido destacar o cenário de desigualdade socioeconômica no Brasil,um fator preponderante para o afastamento da inserção de crianças e adolescentes nas escolas. Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação,o ensino é um direito obrigatório e cabe ao Estado e aos familiares garantir esse bem social. Entretanto,nota-se que diversas famílias,principalmente as de comunidades periféricas,não possuem a rentabilidade necessária para cobrir todos os gastos com a escolaridade das crianças,pois a ausência de investimento estatal em transportes públicos,em merenda suficiente e de qualidade e em distribuição de materiais,torna o preço de educar um filho algo caro para essas famílias. Com isso,familiares acreditam,por meio do pensamento do senso comum,que o trabalho precoce é a melhor maneira das crianças e adolescentes ajudarem nas despesas de casa e, consequentemente,isso afeta o ingresso dos menores no ensino escolar.

Outrossim,ao passo que as condições socioeconômicas afeta essa conjuntura, a precarização de um ensino de qualidade e atrativo também afasta as crianças e os adolescentes das escolas. Nesse viés,a metodologia explicada pelo educador Paulo Freire sobre uma “Educação Bancária,encaixa-se nesse panorama de descaso,pois é visto uma constante reprodução de conteúdo de forma mecânica e arbitrária nas escolas brasileiras e,por conseguinte,os conhecimentos de mundo dos alunos são descartados desse modelo de ensino. Desse modo,o trabalho educativo torna-se ineficaz e a escola, a qual deveria ser um local de socialização secundária,fica apenas como um local de repulsão de alunos. Dessa forma,retificar esse modelo inoperante de ensino é uma maneira de catalisar o acesso de crianças e adolescentes nas escolas brasileiras.

Portanto,por ser tratar de um problema que afeta o ensino educacional dos brasileiros,cabe ao Ministério da Educação,por meio de uma reforma nas bases curriculares das escolas,implementar o ensino integral, o qual será baseado no projeto “Viver também é educar”, em que será ofertado no contraturno aulas lúdicas sobre práticas do dia a dia,além de investir em melhores condições nos serviços escolares. Depois disso,o desejo imperial será alcançado no Brasil.