Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/10/2019

Historicamente, dar educação para o povo nunca foi a prioridade das elites. Tanto no período colonial, quanto no imperial, os senhores de engenho julgavam ser um absurdo dar educação para seus servos e respectivos filhos. De maneira análoga, hodiernamente, a educação não é prioridade do governo. Nessa perspectiva, surge um grande problema: o grande número de evasões escolares. Entretanto, infelizmente, não se vê, no dia a dia, ações que procurem mitigar essa alarmante realidade que é consequência não só do descaso do governo para com a educação, como também pela falta de infraestrutura e logística necessárias para o acesso às escolas.

Mormente, vale ressaltar que o panorama supracitado salienta a ineficiência do sistema público de ensino no país, no qual muitas crianças, por não se visualizarem prosperando numa vida escolar e acadêmica, acabam por abdicar dos estudos. Conforme o filósofo francês Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre. Todavia, a evasão dos estudos acaba por deixar os cidadãos subordinados às grandes empresas e, consequentemente, perdem, inclusive, suas liberdades. Essa situação é agravada pelo descaso do governo perante à caótica situação do ensino público da nação. Dessa forma, as evasões escolares se perpetuam no cenário nacional, realidade inaceitável para o país.

Ademais, é imperioso frisar que a falta não só de uma logística adequada para o acesso às escolas, como também a de uma infraestrutura ideal influencia muitas desistências aos estudos. Dessa forma, muitos brasileiros ficam suscetíveis a se tornarem submissos ao sistema capitalista. Segundo o conceito “Mortificação do Eu” do sociólogo Erving Goffman, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Tal perspectiva sintetiza a realidade de muitos indivíduos da nação que acabam, muitas vezes, sendo manipulados e persuadidos a trabalharem pelos restos de suas vidas em algo que não lhes satisfaz plenamente. Essa realidade é consequência do abando escolar, que torna os cidadãos submissos aos patrões - fato que ocorria similarmente no Brasil colonial e imperial.

Destarte, é mister que o Governo, aliado ao Ministério da Educação promova investimentos não só na construção de escolas e contratação de professores, mas também numa rede logística que possibilite o estudante se deslocar para a escola com facilidade, por meio da destinação verba ao setor educacional do país. Tais ações devem ter como principal objetivo estimular as crianças aos estudos - de forma que a ida à escola se torne prazerosa e não um sacrifício diário - e, consequentemente, reduzir os abandonos dos estudos. Por conseguinte, os cidadãos do país terão mais liberdade e domínio sobre seus futuros e, consequentemente, uma vida mais satisfatória.