Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/10/2019

Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada mais do que aquilo que a educação faz dele”. Partindo dessa perspectiva, é possível inferir a importância do ser humano em se instruir para alcançar a autonomia intelectual e fazer parte da sociedade civil. Entretanto, a realidade brasileira educacional, por apresentar altos níveis de evasão escolar, não é capaz de suprir essa necessidade. Esse fato, por conseguinte, pode gerar problemas ao país, como fomentar o número de indivíduos inseridos no tráfico de drogas, além de aumentar a taxa de trabalhadores informais. Assim, torna-se inevitável a adoção de medidas que visem mitigar essas ocorrências.

Em primeiro lugar, é indispensável analisar as consequências que o abandono à escola gerará ao futuro dessas pessoas. Nesse cenário, aqueles que não concluem o primeiro e o segundo grau apresentam maior probabilidade de ocuparem vagas informais no mercado de trabalho. Dentro dessa ótica, uma pesquisa realizada pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - revelou que 41,3% da população economicamente ativa do Brasil se encontra na informalidade. Desse modo, faz-se evidente a imprescindibilidade de mudanças para a reversão dessa conjuntura.

É imperioso expor, também, o risco que os jovens estão sujeitos ao não frequentarem regularmente as aulas. Nesse viés, por terem perdido sua ocupação diária, eles procuram atividades extradomiciliares para se ocuparem e se envolvem, em diversos casos, com práticas ilegais, como o tráfico. Esses acontecimentos são constatados no filme “Cidade de Deus”, cujo inúmeros adolescentes e crianças, por não estudarem, tornam-se membros da facção local. Dessa maneira, torna-se clara a premência de um ponto de inflexão nesse panorama.

Dessarte, para solucionar a problemática de evasão escolar no país, urge a criação, pelo Ministério da Educação, de comissões especiais voltadas a esse fenômeno nas instituições públicas de ensino. Esses comitês devem ser compostos por pedagogos e professores que, à medida em que alunos deixem de ir às aulas, entrarão em contato com os responsáveis com a finalidade de restabelecer a frequência normal do estudante no ano letivo. Essa medida deverá ser realizada com recursos desse órgão público e precisa objetivar a redução da taxa de evasores. Outrossim, cabe ao Governo Federal, com capital próprio e em simbiose com emissoras de televisão, a elaboração de campanhas que visem estimular o aprendizado às crianças e adolescentes, a fim de que eles continuem seus estudos e não se tornem criminosos. Assim, haverá meios para a efetiva resolução desse fenômeno evasivo.