Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/10/2019

Gravidez precoce. Desigualdade social. Alta taxa de violência. Desinteresse. Não se pode negar as inúmeras causas da evasão escolar no Brasil hodierno. Diante disso, consoante ao princípio da Responsabilidade defendido por filósofo Hans Jonas, é dever do Estado e de todos garantir o bem-estar dessa e das futuras gerações. Entretanto, o aumento de carteiras vazias demonstra a ignorância perante tal princípio, tendo em vista o comodismo familiar, bem como a falta de apoio das próprias instituições as quais corroboram para tal realidade.

Em primeiro lugar, cabe destacar como a situação de abandono escolar foi implantada no pensamento da sociedade brasileira. Pierre Bourdieu, importante filósofo francês, em sua teoria do Habitus, defende que o indivíduo incorpora as estruturas impostas a sua realidade e as reproduz socialmente. Nesse sentido, quando, desde o início da educação no Brasil, a crença de que pobre deve trabalhar, ficando o estudo para os ricos, ainda hoje, presenciamos essa triste realidade dentro das nossas famílias, as quais, muitas vezes, pela estrutura socioeconômica, bem como pelo histórico familiar de evasão, influenciam ou nada o fazem para impedir que suas crianças deixem a escola.

Outrossim, cabe salientar a inércia governamental e escolar perante tal situação. Diante disso, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é imprescindível à infância o acesso à educação. No entanto, geralmente, professores e escola focam em completar o conteúdo anual, em detrimento do desenvolvimento do jovem o qual, muitas vezes, não consegue acompanhar o ritmo de aprendizado dos outros colegas - seja por vir de uma realidade de abandono familiar e violência social, seja por apresentar simples dificuldades de concentração - fato este que vai de encontro ao princípio defendido  por Hans Jonas, uma vez que, sem apoio institucional, o aluno tende a abandonar os estudos e ir para a criminalidade, tendo em vista que a maioria busca esse mundo como fonte de renda.

É fundamental, portanto, reconhecer que a evasão escolar é algo enraizado na cultura brasiliense e que deve ser abolida. Para tal, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria municipal, criar o projeto “Aluno na escola”, no qual, por meio de oficinas estudantis – as quais possuam atividades recreativas como esporte, arte e reforço escolar realizados pelos próprios alunos – além de palestras que possam motivar o jovem a permanecer na instituição, evitando, assim, o aumento da violência, da gravidez precoce e do desinteresse, os quais são potências da evasão. Ademais, cabe a própria família, em conjunto com pedagogos, incentivar, através de diálogo, a permanência dos filhos nas atividades escolares, ajudando-os quando necessário. Só assim, será incorporado, conforme a teoria de Bourdieu, a educação a nossa realidade.