Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/10/2019

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado, que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como a evasão escolar ainda se fazem presentes no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma as práticas metodológicas contribuem para o agravamento do quadro, bem como esclarecer o porquê os aspectos sociais corroboram, em busca de soluções eficientes para esse entrave.

Em abordagem inicial, é preciso entender que a falta de interesse é uma das principais causas da evasão escolar. Nessa perspectiva a problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizada por Barreto, na medida em que o atual sistema de ensino é considerado ultrapassado, isto é, a organização hierárquica entre alunos e professor, além de atividades que visam a memorização, como provas, colaboram para o desinteresse precoce dos jovens ao ambiente acadêmico. Aliás, não se pode negar que o videoclipe da música “Another brick in the wall” da banda Pink Floyd, aborda os descontentamento dos alunos com a metodologia escolar, que por conseguinte desencadeia uma rebelião por parte dos estudantes. Dessa forma é evidente a necessidade de uma reorganização das práticas escolares.

Ainda convém lembrar, que os aspectos sociais, como a desigualdade, prejudica o rendimento acadêmico, na qual os jovens enfrentam dificuldades, como por exemplo, a distancia até a escola e a necessidade de se inserir precocemente no mercado de trabalho, com o intuito de auxiliar com as despesas de casa. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, em sua obra “O contrato social”. Conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismos sociais, é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio da cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social, pois, em contraste, a educação acaba por se tornar algo trivial no cotidiano de jovens de baixa renda.

Portanto, o Ministério da Educação juntamente com as redes ensino, deve propor novas metodologias, tal qual englobe a participação do aluno, com aulas em círculos, que vise a demonstração prática das matérias estudadas, sendo assim, contribuir para o interesse dos alunos. Outra ação importante a ser efetivada, é o auxílio do Estado no custeio dos estudos dos jovens, promovendo transporte escolar para comunidades mais afastadas, e a disponibilização de matrizes que englobe o mercado de trabalho. Com essas ações, a evasão escolar será resolvida, de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.