Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 21/10/2019
Ao firmar o Plano Nacional da Educação, o Brasil comprometeu-se em garantir a totalidade dos jovens de até 17 anos na escola. No entanto, tal meta jamais foi atingida, uma vez que a taxa de evasão escolar cresce expressivamente e, assim, impacta a comunidade em várias esferas da realidade brasileira. Nessa perspectiva, o aprofundamento da estratificação social e a potencialização da marginalização juvenil estão, certamente, entre as principais consequências do abandono dos estudos.
Em primeira instância, cabe destacar a função do ensino na eclosão do cidadão na sociedade, principalmente na vida dos mais pobres; ou seja, a ausência dele extingue a perspectiva de desenvolvimento tanto para o estudante, quanto para o país. Em análise, é pertinente pontuar o conceito de Pedagogia Libertadora, proposto por Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, na ratificação da função escolar; pois ele versa acerca do processo de elucidação e transformação realizado pela educação, a fim da ascensão do indivídua que está à margem das oportunidades. Assim, é inadmissível a negligência diante do quadro atual, onde cada vez mais jovens deixam de gozar desse direito.
Sob esse viés, soma-se à problemática a relação de causa e consequência entre a evasão escolar e a marginalização do jovem pela atração à criminalidade. No tocante a isso, é mister destacar o fato de a população periférica ser a mais suscetível ao ingresso no narcotráfico; assim, esses adolescentes são seduzidos pelas propostas financeiramente atrativas, em vista de sua realidade econômica, e o ambiente pedagógico deixa de ser priorizado. Dessa feita, um levantamento realizado por acadêmicos da (UFRJ) com menores infratores, constatou que mais de dois terços deixaram de estudar em virtude das oportunidades encontradas no crime; dito isso, a falta de mecanismos que promovam a estabilidade e atratividade ao engajamento do jovem na formação educacional é degradante e compromete o futuro desses indivíduos.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar a evasão escolar, visando à atenuação das suas principais consequências. Urge, para isso, o aprimoramento de políticas públicas de auxílio à permanência dos alunos nas instituições, bem como o fomento aos projetos de extensão que tornem atrativo e produtivo o tempo de estudo, este que deve ser integral. Destarte, cabe ao Governo Federal associar-se ao Ministério da Educação para viabilizar os projetos; os quais ocorrerão por meio de bolsas e ajudas de custo às famílias, integralização da educação e oferta de formação técnica e estágios. Desse modo, os índices de abandono aos estudos reduzirão ao nível proposto no (PNE).