Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/10/2019

O filme “Escola de Rock”, de 2003, conta a história de um professor novato que transformou uma turma primária em uma banda de rock, com o objetivo de estimular os alunos a irem mais para a escola. Entretanto, na vida real, esse estímulo não ocorre, garante o desinteresse dos mais jovens, levando à situação de evasão escolar no Brasil. Com efeito, tal situação é agravada pela falta de infraestrutura estudantil e os diversos aspectos sociais que envolvem a vida do estudante.

Diante desse cenário, é verossímil reconhecer que a educação que deveria ser garantida à criança e ao adolescente, conforme a Magna Carta brasileira de 1988, não ocorre de fato. Dessa forma, o sistema de transporte escolar escasso e precário dificulta o acesso às instituições, principalmente para os alunos que moram nas zonas rurais. Além disso, é notável a falha no gerenciamento dos recursos fornecidos, como por exemplo, o lanche que em muitos municípios chega a faltar. Portanto, observa-se que a falta de apoio governamental tem levado jovens a desistirem de seus estudos e buscarem cada vez mais o mercado de trabalho prematuramente, havendo a possibilidade de exploração infantil.

Outrossim, os problemas enfrentados diariamente pelos jovens brasileiros, principalmente os da classe mais baixa, constituem barreiras para conclusão dos estudos. Ademais, aspectos como pobreza, mau relacionamento familiar, gravidez na adolescência e dificuldades ou doenças, somadas a um ensino totalmente mecanizado e monótono na sala de aula, desencoraja a luta pelo tão sonhado diploma escolar, mesmo que ele garanta status ou até mesmo um salário melhor.  Nesse sentido, o discurso do filósofo Paulo Freire, que defende a ideia de que o ensino pertence justamente ao oprimido e é por meio dele que se alcança a libertação, não se aplica à realidade, visto que a opressão social sofrida pelos jovens os afasta da educação.

Urge, portanto, que a evasão escolar seja abonada no país. Dessa forma, o Capital de Contas da União deve direcionar o capital em suportes para locomoção, infraestrutura das instituições e qualificação dos profissionais por meio do contante investimento, a fim de que o sistema de ensino se torne mais acessível, moderno e atrativo à todos. Além disso, o Ministério da Educação juntamente com diretores de escolas devem elaborar projetos de atendimento extracurricular, por meio do acompanhamento dos estudantes matriculados, para que se conheça a situação social a qual eles estão inseridos, e, se necessário, que eles tenham direito a um reforço disciplinar. Com tais medidas, essas questões serão gradativamente solucionadas.

A máxima do filósofo Paulo Freire afirma que a educação sozinha não é capaz de transformar a sociedade, no entanto, sem ela tampouco há chances de mudanças.